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 Imagem de carros: ilustração

Uma briga empresarial, que foi resolvida na Justiça, revelou a acusação de que Mario de Abreu (PSDB) usava a empresa que tinha em sociedade com Viviani Medeiros Morelis para lavar dinheiro de propina que ele recebia quando era secretário de Meio Ambiente de São Bernardo, nomeado pelo prefeito Orlando Morando (PSDB).


Sem conseguir tirar Mario de Abreu da sociedade da empresa Marvitrans Transportes e Serviços Ltda. de forma amigável, Viviani ingressou com processo na Justiça para tirá-lo.


“O réu adquiriu, em nome da sociedade, veículos de luxo e alto valor, tendo recebido diretamente os boletos e realizado os pagamentos, sem o conhecimento das agravantes, com o fim de ocultar recursos ilícitos, recebidos na qualidade de Secretário do Meio Ambiente do Município de São Bernardo do Campo”, diz apontamento feito no processo.


No último dia 7 de fevereiro, a Justiça concedeu liminar a Viviani e Mario de Abreu foi afastado da empresa.


Porém, nos bastidores comenta-se que é apenas um instrumento jurídico para preservar outros bens de Mario de Abreu, que permaneceu como secretário do governo Orlando Mornado de janeiro ao início de novembro 2017, quando a Operação Barbatanas foi deflagrada pelo Gaeco (grupo especial do Ministério Público) em parceria com a Polícia Civil. Assim, enquanto a investigação foca nessa empresa e nos carros de luxo, outros bens estariam sendo preservados.


Mario de Abreu, que era vereador antes de comandar a Secretaria de Meio Ambiente de São Bernardo, voltou a assumir cadeira na Câmara depois do escândalo. Mas, posteriormente, teve mandado de prisão expedido, sob acusação de organização criminosa, corrupção passiva e concussão. A acusação é por recebimento de propina na venda de licenças ambientais. Segundo a denúncia, Mario de Abreu liderava o suposto esquema, que funcionaria nos meandros da Prefeitura.


Com mandado de prisão emitido em junho de 2018 pela Justiça, Mario de Abreu fugiu. Em dezembro de 2018, o STJ (Superior Tribunal de Justiça) analisou recurso e revogou pedido de prisão do vereador.


Mesmo foragido, ganhava R$ 15 mil por mês da Câmara. E ainda hoje, afastado do cargo, continua recebendo salário. Dessa forma, o Legislativo de São Bernardo possui 28 parlamentares, mas paga 29. Tudo com dinheiro público