Projeto de lei polêmico do prefeito Orlando Morando (PSDB) da área de Educação desagradou tanto mães de alunos quanto professores da rede municipal. A proposta deve ser votada nesta quarta-feira (08) pelos vereadores na Câmara.

De acordo com o projeto, mães de alunos especiais, com renda familiar de até meio salário mínimo per capta, serão contratadas para atuar nas escolas por R$ 1.000,00 e terão de cumprir jornada de 20 horas semanais. As críticas vêm dos dois lados: das mães (que querem os filhos integrados e cuidados por especialistas) e dos professores (que se sentem desvalorizados).

Nas redes sociais do prefeito, houve enxurrada de apontamentos negativos. “Estão fazendo exatamente aquilo que nós não queremos......que tratem nossos filhos como seres incapazes e dependentes, tirando deles o direito de serem autônomos e de serem capazes de viver por si só, sem a total dependência de nós mães. Eu dispenso a piedade de vocês, prefiro que me deem o meu direito de ter um profissional capacitado dentro da escola para cuidar do meu filho... UM CUIDADOR”, desabafou uma mãe.

“Precisamos de mais auxiliares e valorização profissional. As mães já exercem o papel delas... por que não oferecer essa verba então para as terapias? Indicamos nossos alunos para avaliação, a mesma demora meses. Indicamos terapias e as famílias não têm condições de pagar e, quando procuram atendimento público, meses também aguardando... Muito triste com o retrocesso!”, disse uma educadora.

“Inclusão e capacitação profissional para as mães??? Isso é um desrespeito com os profissionais que estudaram e estudam para exercer tal função”, comentou outra.

“Um retrocesso para inclusão, precisa investir em mais profissionais, capacitá-los, motivá-los, dar uma remuneração decente e uma carga horária viável, fora pensar na criança com necessidades especiais. Agora a mãe, que muitas vezes tem essa missão árdua, sozinha, sem condições financeiras, sem apoio, sem tratamentos eficazes de equipe multidisciplinar, é que vai "ter" que fazer mais esse trabalho. E nossos filhos? Lutamos tanto por respeito a eles, autonomia para eles, inclusão de verdade, aceitação, além de apoio aos profissionais na educação, melhorias na inclusão da rede e do atendimento multidisciplinar, vamos sofrer com esse retrocesso e seremos com nossos filhos, como sempre, mais e mais segregados. E a Lei e Nossos direitos já conquistados? Decepção e Não Aceito...”, frisou uma mãe.

“Acredito que o projeto pegou todos os profissionais da educação de surpresa. Entendo a necessidade de mão de obra nas escolas para o trato com as inclusões, porém, eu me pergunto, esse caminho que o senhor junto com a secretária nos propõe é o certo? A mãe, geralmente uma pessoa fragilizada com todos os desafios de criar a criança de inclusão, será que ela está preparada para estar na escola como auxiliar da criança ( seu filho no caso) ou ela precisa de ajuda e orientações para norteá-la no melhores caminhos para criar esta criança ( orientação que muitas vezes falta e vejo que as professoras do Aee fazem um belo trabalho de sensibilização da família). Outra coisa, aquela lista de profissionais do último concurso, quando os profissionais de Aee e auxiliares de educação começarão a serem chamados para admissão? Estamos ansiosos para recebê-los, temos muito trabalho e demanda e tenho certeza que eles também virão com muita vontade de trabalhar”, relatou uma funcionária.