Especialistas e pacientes relatam benefícios do uso medicinal do canabidiol

O menino Samuel, de apenas 4 anos, era uma criança que tinha problemas para se relacionar com outros pequenos. Entrava em pânico quando chegava em um local ou parquinho com muita gente, se amedrontava frente a desafios. Mas tudo começou a mudar quando iniciou tratamento com medicamento a base de canabidiol. Samuel é um de muitos exemplos de pessoas que têm de volta bem-estar e qualidade de vida com a utilização medicinal do produto.

“Com o uso da medicação ele se tornou outra criança, não se importa mais com multidões, chega nos lugares e interage, às vezes leva um tempinho mas se solta e depois ninguém o segura mais, encara desafios como tirolesa, arborismo e afins, sem nenhum efeito colateral ou adverso”, conta Anselmo, o pai de Samuel, portador da síndrome de Silver-Russel.

Mas para conseguir o medicamento há um custo alto e muita burocracia. São cerca de R$ 1.400 a cada dois meses. E só com um processo judicial a família conseguiu a importação custeada pelo governo.

A regulamentação do uso medicinal do canabidiol está em pauta no Congresso Nacional. O deputado federal Alex Manente (Cidadania), de São Bernardo, tem trabalhado para agilizar esse processo e facilitar a vida das famílias que dependem do medicamento.

ESPECIALISTA
O uso medicinal do canabidiol é comprovado por diversas pesquisas mundo afora, está autorizado em diversos países, mas ainda tem gente que confunde e tem preconceitos. Os remédios produzidos a partir da planta ‘cannabis sativa’ geram benefícios, bem-estar e melhoram a qualidade de vida de pacientes com doenças como epilepsia, esquizofrenia, parkinson e esclerose múltipla, dentre outros problemas neurodegenerativos, doenças do cérebro e dores crônicas.

“Em um mundo atual globalizado e com tanta diversidade, precisamos nos despir de preconceitos e crenças quando o assunto é saúde e bem-estar. Os benefícios do canabidiol estão sendo comprovados cada vez mais em pacientes com diversas patologias neurológicas, mas ainda nos deparamos com a falta de aceitação, devido a ser matéria prima da maconha, a falta de informação científica ainda é um grande problema na sociedade”, afirma Rosana Aparecida Borges Poiani, psicóloga clínica e neuropsicóloga, que atua há mais de 20 anos na área.

Portanto, é preciso deixar claro: a luta pelo uso do canabidiol é para fins medicinais, não para liberação da maconha para recreação, como muitos divulgam por aÍ, seja por ignorância ou maldade.

O Canabidiol hoje é uma medicação com comprovação científica, autorizada em muitas nações de primeiro mundo. No Brasil, desde 2015 é reconhecida pela Anvisa para uso terapêutico. Os pacientes têm importado os remédios, que ficam caros e existe grande burocracia. Como tem sido cada vez mais usado pelo efetivo potencial no tratamento e avanços nas pesquisas, há movimento para regulamentar a situação no Brasil.