“Minha filha estava a 120 metros da nossa casa quando desapareceu há 23 anos. Tinha 13 anos de idade, mas já com um corpo de mulher. Nesses anos todos vivi o mais profundo abandono e a mais profunda omissão por parte do Estado, que nuca fez nada para ajudar a encontrar ela. Os senhores não sabem o que é acordar todos os dias, todos esses anos, sem saber o que aconteceu com seu filho.”

Esse forte relato é de Ivanisi da Silva Santos. A partir do desaparecimento da filha, ela concentrou forças e virou militante do tema. Fundou a ONG paulista Mães da Sé junto com outra mãe de desaparecido. A entidade é uma das que participarão de audiência pública nesta segunda-feira, dia 24 de junho, às 14h, na Assembleia Legislativa, a pedido do deputado estadual Luiz Fernando Teixeira (PT).

Trata-se de assunto de extrema importância, que muitas vezes não é debatido da maneira que deveria pelo poder público.

Segundo pesquisa feita pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, de 2007 a 2016 foram registrados no Brasil 693.076 desaparecimentos. Em média, 190 pessoas desapareceram por dia neste período, oito por hora. O Estado de São Paulo lidera as estatísticas, com 242.568 registros de desaparecimentos.

As causas vão da fuga de casa por causa de conflitos familiares, passando por transtornos mentais, violência, alcoolismo, até conflitos entre quadrilhas organizadas do tráfico de drogas e também de órgãos, exploração sexual, adoção ilegal ou trabalho escravo.

A audiência pública é denominada “Vitrine dos Desaparecidos”. Reunirá, além de organismos públicos, entidades da sociedade civil que se preocupam com o tema como Mães da Sé, Mães em Luta Instituto Ímpar e outras.

O objetivo além de ouvir os relatos das mães é tentar encontrar soluções que apontem caminhos em respostas mais rápidas às famílias, uma vez que estudos de casos demonstram a irresponsabilidade de agentes públicos com a questão, que muitas vezes levam pessoas desaparecidas, porém encontradas, a serem enterradas como indigentes, criando a figura do redesaparecido.

Uma das medidas imediatas é a criação de uma Frente Parlamentar da Pessoa Desaparecida na Assembleia, que terá atuação permanente nessa questão.