DISCUSSÃO POLÍTICA NO TRABALHO MOTIVOU AMEAÇA DE MORTE EM FÁBRICA DA BOMBRIL, REVELA FUNCIONÁRIO

Um debate sobre política e corrupção ocorrido durante o expediente de trabalho foi a fagulha que deu início às ameaças de m0rte e perseguição relatadas por Matheus Henrique Lima, de 24 anos, dentro do complexo industrial da Bombril, em São Bernardo do Campo. Em um novo depoimento gravado em vídeo, o jovem funcionário terceirizado detalhou como uma divergência de opiniões entre seu irmão e o colega degenerou em provocações diárias e intimidação ostensiva.

O caso ganha repercussão pela revelação da motivação banal por trás das ameaças e pela crítica do trabalhador à conduta da gestão no ambiente de trabalho, poucas semanas após uma tragédia que deixou três m0rt0s no mesmo local.

Segundo o relato de Matheus, o conflito teve início quando o colega — que havia entrado na empresa na mesma época que ele e seu irmão — afirmou em uma conversa que “dentro da política só existe gente corrupta”. O irmão de Matheus contestou a afirmação, argumentando que a corrupção depende da conduta de cada indivíduo e não da instituição em si.

A partir desse debate conceitual, o colega afastou-se dos irmãos e passou a adotar uma postura hostil no dia a dia. Matheus relata que, cerca de uma semana antes do ápice da intimidação, passou a ser alvo constante de provocações e ameaças veladas durante a jornada de trabalho, incluindo frases como “vou atropelar você se não sair da frente”.

O ápice do desentendimento ocorreu às 5h45 da manhã, durante a troca de turno. Na recepção da fábrica, enquanto aguardavam um transporte por aplicativo, Matheus e o irmão foram abordados pelo colega, que proferiu ofensas e fez ameaças diretas: “Se vocês me chamarem de comédia de novo, eu vou te catar na curva”. Segundo ele, o rapaz ainda tentou atrair os irmãos para briga do lado de fora da fábrica.

Nota da Bombril
“A Bombril tomou conhecimento, através de uma rede social, da denúncia realizada pelo trabalhador da empresa quarteirizada da JSL, prestadora de serviços da companhia e está apurando internamente os fatos. A empresa já solicitou informações à contratada sobre os envolvidos e a suposta discussão”.

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