REGINA MAURA DEFENDE TRATAMENTO GRATUITO NO SUS PARA MENOPAUSA
Médica propõe protocolo nacional para garantir atendimento integral às mulheres durante o climatério e a menopausa
A médica e candidata a deputada federal Regina Maura defende que mulheres tenham acesso gratuito pelo SUS a diagnóstico, acompanhamento e tratamento dos sintomas do climatério e da menopausa. A proposta inclui a criação de um protocolo nacional, capacitação de profissionais e oferta de medicamentos e tratamentos hormonais e não hormonais, conforme indicação médica.
A discussão ganha dimensão diante de uma realidade que ainda é pouco acolhida nos serviços de saúde. Dados do IBGE indicam que aproximadamente 17 milhões de mulheres vivem o climatério no Brasil, período de transição entre a fase reprodutiva e a não reprodutiva, geralmente entre os 40 e os 65 anos.
Uma pesquisa internacional divulgada em 2025 mostrou que 79% das brasileiras entrevistadas relataram impactos psicológicos negativos relacionados à menopausa. Ansiedade foi mencionada por 58% e depressão por 26%. No ambiente profissional, 47% afirmaram ter sofrido algum impacto negativo no trabalho por causa dos sintomas.
A história de Val ajuda a dimensionar o problema. Os primeiros sinais apareceram por volta dos 45 anos, quando começaram as ondas de calor. “Eu acordava e molhava a cama, o rosto e o corpo todo. Procurei ginecologista e ouvi que era o climatério e que não havia o que fazer”, conta.
Aos 57 anos, quando parou de menstruar, os sintomas se intensificaram. Vieram depressão, irritabilidade e crises de choro que passaram a interferir na convivência familiar e na vida profissional. “Minha vida virou de ponta-cabeça. Isso mexe com a família, com o emprego e com a maneira como a gente trata as outras pessoas. É horrível”, relata.
Sem encontrar uma resposta efetiva no atendimento médico, Val passou a carregar um leque na bolsa para tentar amenizar as ondas de calor. “O leque virou a minha salvação”, resume.
A menopausa é uma fase natural da vida, mas os sintomas podem comprometer significativamente a qualidade de vida. Ondas de calor, insônia, alterações de humor, ansiedade, depressão, dores articulares e mudanças na saúde sexual estão entre as manifestações que podem exigir acompanhamento médico.
Para Regina Maura, o problema está justamente em transformar sofrimento em algo que a mulher simplesmente precisa suportar. “Uma mulher não pode chegar ao serviço de saúde sofrendo e sair de lá apenas com a orientação de que precisa aceitar a situação. O leque pode aliviar o calor naquele momento, mas não trata a depressão, a insônia, a ansiedade e todas as consequências que a menopausa pode provocar”, afirma.
A médica ressalta que o tratamento precisa ser individualizado. Nem todas as mulheres têm indicação para terapia hormonal, e a escolha depende da avaliação clínica, do histórico e dos fatores de risco de cada paciente. “Nem todas as mulheres podem ou devem fazer terapia hormonal. Por isso, é fundamental garantir avaliação médica, exames, acompanhamento e acesso às diferentes possibilidades de tratamento. O que não pode continuar é a mulher ser mandada de volta para casa sem orientação e sem perspectiva de melhora.”
Regina Maura defende que o SUS tenha uma política nacional específica para o climatério e a menopausa, com atendimento desde os primeiros sintomas e acompanhamento ao longo dessa fase.
A proposta prevê a criação de um protocolo nacional para orientar o acolhimento, diagnóstico e tratamento, além da capacitação dos profissionais das unidades básicas de saúde. Também estão entre as medidas defendidas o acesso a medicamentos e tratamentos hormonais e não hormonais, de acordo com indicação médica, e a oferta de atendimento psicológico, nutricional e multiprofissional.
A política também incluiria exames preventivos, acompanhamento continuado e campanhas de informação destinadas às mulheres, suas famílias e empregadores.
Para a candidata, a questão não deve ser tratada apenas como uma demanda ginecológica, já que os sintomas podem repercutir na saúde mental, nas relações familiares e na permanência das mulheres no mercado de trabalho. “Estamos falando de aproximadamente 17 milhões de mulheres. São mães, trabalhadoras, profissionais e chefes de família que não podem continuar sofrendo em silêncio. A menopausa não pode ser tratada como frescura, exagero ou uma fase que a mulher precisa enfrentar sozinha”, afirma.
A história de Val mostra como a falta de orientação e tratamento pode ultrapassar os limites do consultório. “Afeta a saúde mental, a família, o casamento, o emprego e a vida social. Uma política pública para a menopausa não é privilégio. É cuidado, prevenção e respeito”, conclui Regina Maura.


