CANIBALISMO, MODELO MEXICANA E UM VÍDEO DE 2009: O QUE REALMENTE ACONTECEU COM GABRIELA RICO JIMENEZ?

Um vídeo gravado em 2009 voltou a circular nas redes sociais após a divulgação de novos documentos ligados ao caso Jeffrey Epstein. As postagens sugerem que Gabriela Rico Jimenez seria uma modelo mexicana que denunciou canibalismo em festas da elite internacional e, depois disso, teria desaparecido. A análise dos fatos mostra que essa narrativa não tem comprovação.

As imagens foram registradas em 10 de agosto de 2009, em Monterrey, no México. No vídeo, Gabriela Rico Jimenez, então com 21 anos, aparece em frente a um hotel, em forte estado emocional, repetindo que queria “sua liberdade”. Durante a gravação, ela cita empresários, países, organizações internacionais e membros da realeza, sem apresentar provas ou relatar fatos objetivos.

O boato do canibalismo surgiu a partir de um trecho específico do vídeo, no qual Gabriela acusa pessoas de integrarem uma rede criminosa e grita literalmente: “Comeram humanos, uma asquerosidade, comeram humanos! Eu não sabia de nada… dos assassinatos, sim, mas de que tinham comido humanos. Humanos!”. Esse trecho passou a ser recortado e compartilhado isoladamente, sem o restante do contexto, o que ajudou a alimentar interpretações falsas.

Na época, noticiários mexicanos classificaram o episódio como uma ocorrência em via pública, envolvendo uma mulher em crise emocional. A polícia foi acionada e Gabriela foi encaminhada para atendimento médico. Não houve abertura de investigação criminal relacionada às acusações feitas no discurso.

Também não há registros de que Gabriela Rico Jimenez fosse modelo ou supermodelo. Nenhuma reportagem publicada em 2009 a identifica dessa forma. Essa versão passou a circular anos depois em redes sociais e fóruns, sem base documental. O local do fato foi identificado como o CHN Hotel Monterrey Centro, um hotel comercial comum, aberto ao público, sem histórico de eventos da elite internacional.

Outro ponto recorrente é a afirmação de que Gabriela teria desaparecido. Não há confirmação oficial disso. Existem registros de que ela foi localizada anos depois em outra cidade mexicana, com acompanhamento de serviços sociais, o que enfraquece a tese de sumiço misterioso.

A associação recente do vídeo com o caso Epstein também não encontra respaldo em documentos oficiais. Gabriela Rico Jimenez não aparece nos arquivos divulgados, e não há qualquer vínculo jurídico comprovado entre os dois temas. Especialistas apontam que o discurso apresentado no vídeo é compatível com um surto psiquiátrico, caracterizado por falas desorganizadas e perda de conexão com a realidade.

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