O hábito de lavar o frango cru antes do preparo, comum em muitas casas brasileiras, não reduz riscos à saúde e pode, na verdade, aumentar a contaminação na cozinha. O alerta é de especialistas em segurança dos alimentos e reforça orientações adotadas internacionalmente.

Segundo Paula Eloize, especialista em segurança dos alimentos e fundadora da Food Smart, a lavagem do frango cru favorece a disseminação de microrganismos invisíveis a olho nu.

“Quando o frango cru é lavado, a água espalha bactérias presentes na carne para a pia, bancadas, utensílios, mãos e até para outros alimentos. Esse respingo microscópico é suficiente para causar contaminação cruzada”, explica.

Por que lavar o frango não é seguro

O frango cru pode conter microrganismos como Salmonella e Campylobacter, que não são eliminados com água corrente. “A única forma eficaz de eliminar esses microrganismos é o cozimento adequado, atingindo temperaturas seguras em toda a carne”, afirma a especialista.

Ao contrário do que muitos acreditam, a aparência do frango não indica segurança. “Mesmo que o frango pareça limpo, sem cheiro ou viscosidade, ele pode estar contaminado. A água não remove esse risco”, destaca Paula.

O risco está na contaminação cruzada

Durante a lavagem, as bactérias podem se espalhar por toda a cozinha. “Pia, torneira, esponha, pano de prato e superfícies próximas podem se tornar veículos de contaminação, atingindo alimentos que não passarão por cocção, como saladas e frutas”, alerta.

Esse tipo de contaminação é uma das principais causas de Doenças de Transmissão Hídrica e Alimentar (DTHA) em ambientes domésticos.

Qual é a forma correta de preparar o frango

De acordo com a especialista, o preparo seguro envolve cuidados simples e eficazes:

  • Não lavar o frango cru
  • Manter o frango refrigerado até o momento do preparo
  • Utilizar utensílios exclusivos para carnes cruas
  • Lavar bem as mãos após manusear o frango
  • Cozinhar completamente, sem partes cruas ou rosadas

“Segurança dos alimentos começa em casa. Pequenas mudanças de hábito reduzem significativamente o risco de contaminação”, reforça.

Informação protege a saúde

Paula Eloize destaca que muitos costumes foram transmitidos culturalmente, mas hoje já se sabe que podem trazer riscos. “Atualizar hábitos é uma forma de cuidado. Cozinhar com segurança protege quem prepara e quem consome”, conclui.

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