Equipe do bairro Assunção chega ao meio século de história como referência esportiva e social

Um dos clubes mais tradicionais da várzea de São Bernardo do Campo completou suas bodas de ouro. Fundado no dia quatro de abril de 1976, o Pérola Futebol Clube nasceu de uma iniciativa de um grupo de amigos residentes do bairro Assunção, no município são-bernardense. Com o passar dos anos, o que começou como uma simples equipe da região, se transformou em um importante espaço de convivência para toda comunidade local.

Ao longo de sua trajetória, vestindo seus tradicionais uniformes nas cores azul e amarelo, a equipe consolidou uma identidade ligada às famílias que residem no local. O espaço recebe atividades esportivas, como aulas de jiu-jitsu, capoeira e zumba, encontros entre torcedores e projetos voltados a crianças e jovens, reforçando o papel social que o futebol pode exercer fora das quatro linhas.

O atual presidente da instituição, Bruno Oliveira Luiz, de 39 anos, tem uma ligação direta com essa história. Filho de um dos fundadores do Pérola, ele cresceu frequentando o campo e acompanhando de perto o desenvolvimento da equipe ao longo dos anos.

“O Pérola tem muito da essência da minha família. Na fundação estavam meu pai, meu tio e outros amigos que decidiram criar o clube com o nome do bairro, que na época era chamado de Jardim Pérola. Eu cresci acompanhando tudo isso, desde quando o nosso campo ainda era de terrão”, relembra.

A relação com o clube ganhou um significado ainda mais profundo após a morte de seu pai, Walter Luiz, um dos responsáveis pela criação do time. Segundo o dirigente, um pedido feito pelo seu genitor pouco antes de falecer marcou sua trajetória dentro do clube. “Antes de falecer, meu pai pediu que eu cuidasse da família e que não deixasse o Pérola acabar. Aquilo ficou muito forte para mim. Desde então eu encaro o clube quase como um filho, algo que eu preciso cuidar e manter vivo para as próximas gerações”, diz.

Além das competições esportivas, o Pérola também mantém atividades que aproximam a comunidade. Entre elas estão a escolinha de futebol, que tem como principal objetivo oferecer oportunidades para crianças e jovens, promovendo formação esportiva, social e educacional.

A ligação da comunidade com o clube pode ser vista nas arquibancadas. Torcedor antigo, Vagner de Novais da Silva, de 47 anos, acompanha o Pérola há mais de duas décadas e também já participou da diretoria. “Eu acompanho o Pérola há mais de 25 anos. Na época eu jogava e depois comecei a ajudar na diretoria. Desde então o clube acabou virando parte da minha rotina e da minha vida”, conta.

Para ele, o diferencial do Pérola sempre foi o clima que envolve o time. “O Pérola representa família e paixão. É um lugar onde as pessoas levam a esposa, os filhos e os amigos. Não é só o jogo de futebol, é a convivência que existe ali dentro”, afirma.

Entre os torcedores mais recentes está Marlene Gonçalves Santos, de 55 anos, que começou a frequentar o clube em 2022 e rapidamente criou uma ligação com o ambiente. “Minha relação com o Pérola é de amor. Quando comecei a frequentar fui conhecendo as pessoas, criando amizade e aquilo acabou virando parte da minha rotina”, comenta.

De acordo com ela, o que mais chama atenção é o clima acolhedor do clube. “É um time de família mesmo. Quando você chega lá encontra todo mundo junto, conversando, torcendo e se apoiando. Isso cria um sentimento muito forte de união”, diz.

Dentro de campo, o Pérola também busca valorizar jogadores que cresceram dentro do próprio clube ou que têm ligação com o bairro. Um exemplo é o atacante Yuri Abílio de Sales, de 26 anos, que iniciou sua trajetória na escolinha do time. “Eu comecei na escolinha e fui criando gosto pelo clube desde pequeno. Depois surgiu a oportunidade de participar do projeto do time principal e eu abracei essa ideia”, conta.

Para o jogador, defender o clube tem um significado especial. “É muito gratificante jogar por um clube que tem mais de 50 anos de história e que representa tanto para o bairro. Você sente que está fazendo parte de algo que marcou muitas pessoas”, diz.

A tradição do Pérola também tem atraído atletas com passagem pelo futebol profissional. Um deles é o volante Denílson Pereira Neves, que defendeu as cores de Arsenal (Inglaterra), São Paulo, Cruzeiro, Al- Wahda (Emirados Árabes Unidos), Botafogo-SP, Sliema Wanderers FC (Malta) e Brasil de Pelotas, antes de aceitar o convite para defender a equipe.

“O convite surgiu através de amigos que já estavam no clube. Depois conversei com a diretoria, entendi como funciona o projeto e achei interessante fazer parte disso”, explica.

Mesmo retomando a forma física após um período afastado dos gramados, ele demonstra entusiasmo com a nova experiência.”Estou voltando aos poucos, me preparando fisicamente, mas muito feliz por poder sentir novamente o ambiente do futebol, o convívio com o grupo e a presença da torcida”, finaliza.

Depois de cinco décadas de história, o Pérola segue como um dos símbolos da várzea da cidade. Mantido pelo esforço de dirigentes, jogadores e torcedores, o clube continua mostrando que o futebol amador vai muito além das quatro linhas: identidade, pertencimento e comunidade. Atualmente, o clube está disputando a Divisão Especial de São Bernardo, onde almeja um título histórico.

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