OITO FILMES PARA CONHECER NO DIA DO CINEMA BRASILEIRO
Aproveite o dia 5 de novembro para celebrar as produções de cineastas do Brasil
O Dia do Cinema Brasileiro, celebrado em 5 de novembro, lembra a primeira exibição pública de cinema do país, em 1896, no Rio de Janeiro. Nesta data, escolha um dos filmes abaixo e chame alguém para ver junto. O nosso cinema não precisa de aplauso de fora, mas precisa de mais gente dentro da sala.
As indicações não são um panorama, são um olhar pessoal da Lara Ferry, produtora audiovisual, atriz e autora de “A privacidade é um luxo que o escritor não pode ter”. São oito filmes que moldaram seu jeito de ver o mundo e que não ficam atrás de nenhum estrangeiro.
Ficaram de fora, por limite de espaço, nomes como Glauber Rocha, Kleber Mendonca Filho, Nelson Pereira dos Santos, Adélia Sampaio e Zózimo Bulbul. A lista é pessoal e tem buracos. Por isso, aqui também fica um convite: monte a sua.
1. O Auto da Compadecida (2000), de Guel Arraes
Comédia baseada na peça de Ariano Suassuna, com João Grilo e Chicó no sertão. No julgamento no além, com Fernanda Montenegro como a Compadecida, está a prova de que bom texto e talento de teatro não têm como dar errado. Na opinião de Lara Ferry, é o melhor filme brasileiro de todos os tempos.
2. O Pagador de Promessas (1962), de Anselmo Duarte
Baseado na peça de Dias Gomes: Zé-do-Burro (Leonardo Villar) carrega uma cruz até a igreja de Santa Bárbara, em Salvador, para pagar uma promessa feita num terreiro de candomblé, e o padre o impede de entrar. Levou a Palma de Ouro em Cannes, o único filme brasileiro a conseguir isso. Faz pensar sobre fé, intolerância e sobre acreditar cegamente em algo.
3. Limite (1931), de Mário Peixoto
Único longa dirigido por Peixoto, aos 22 anos. Três pessoas à deriva num barco recordam suas vidas, tudo sem som. Talvez você torça o nariz por ser mudo, mas vai se surpreender.
4. A Hora da Estrela (1985), de Suzana Amaral
Adaptação do romance de Clarice Lispector sobre Macabéa, jovem nordestina que trabalha como datilógrafa na cidade grande. Marcélia Cartaxo, que estreava no cinema, foi a primeira atriz brasileira a ganhar o Urso de Prata de melhor atriz em Berlim, em 1986. Uma adaptação à altura da obra.
5. Jogo de Cena (2007), de Eduardo Coutinho
Coutinho convidou mulheres, por anúncio de jornal, a contar suas histórias num palco de teatro. Atrizes, entre elas Fernanda Torres e Marília Pêra, reinterpretam esses relatos, até não sabermos mais onde termina a vida e começa a encenação.
6. Cabra Marcado para Morrer (1984), de Eduardo Coutinho
As filmagens sobre o líder camponês João Pedro Teixeira começaram em 1964 e foram interrompidas pelo golpe militar. Coutinho as retomou em 1981 e reencontrou a viúva, Elizabeth Teixeira, que vivia escondida desde o golpe.
7. Manas (2024), de Marianna Brennand
Primeiro longa de ficção da diretora, fruto de mais de dez anos de pesquisa sobre a exploração sexual de meninas na Ilha do Marajó. Marcielle, de 13 anos (Jamilli Correa), decide enfrentar a violência que cerca a família. Denso, mas necessário: abre espaço para a conversa sobre um problema que precisa de luz. Levou o prêmio máximo da mostra Giornate degli Autori, no Festival de Veneza.
8. Pixote: a lei do mais fraco (1981), de Hector Babenco
Aborda questões centrais do Brasil: violência, drogas e a falta de educação. Fernando Ramos da Silva, que não era ator profissional, vive Pixote; morreu aos 19 anos, em 1987, baleado pela polícia. Muito triste, porém necessário.

