Sehal defende mudança de visão sobre a folia e aponta oportunidades para bares, restaurantes e hotéis manterem o consumidor na região

O Carnaval no Grande ABC pode, e deve, ser encarado como um investimento estratégico para o setor de hospedagem e alimentação, e não apenas como um período de custos adicionais ou evasão de consumidores. Essa é a avaliação do Sehal (Sindicato das Empresas de Hospedagem e Alimentação do Grande ABC), único representante dos estabelecimentos do setor em toda a região, ao defender uma mudança de mentalidade que valorize a permanência do folião nas cidades do ABC e estimule o consumo local.

Segundo o sindicato patronal, a lógica histórica de exportar moradores para outros destinos durante o Carnaval precisa ser substituída por ações entre iniciativa privada e poder público, capazes de transformar a folia em geração de renda, fortalecimento do turismo regional e aumento do faturamento de bares, restaurantes e hotéis.

Nesse contexto, o empresário Paulo Tinoco, dirigente da Aethal, braço operacional do Sehal, e presidente do Comtur (Conselho Municipal de Turismo) de Santo André, reforça que o Carnaval é uma oportunidade concreta de desenvolvimento econômico.

“O Carnaval precisa ser tratado como um ativo para a cidade e para a região. Quando o poder público investe em infraestrutura e os empresários se organizam com ações e promoções, o folião permanece no ABC, consome aqui e movimenta toda a cadeia do turismo e dos serviços”, afirma Tinoco.

De acordo com o empresário, os moradores do ABC costumavam seguir blocos, festas e hospedagem em São Paulo ou no litoral. No entanto, o crescimento e a diversidade dos blocos de rua nas cidades da região tendem a mudar esse cenário. “Hoje, o desafio e a oportunidade está em manter o folião no próprio ABC, incentivando-o a consumir onde mora ou trabalha”, acrescenta.

Segundo o Sehal, o setor pode se beneficiar diretamente do Carnaval ao planejar ações específicas para o período. Promoções temáticas, cardápios especiais, descontos para foliões identificados com abadás ou pulseiras de blocos, além de campanhas nas redes sociais, são algumas das estratégias capazes de atrair quem acompanha os desfiles pelas ruas.

“A lógica é simples: transformar o fluxo de pessoas em consumo efetivo”, reforça o presidente do Sehal, Beto Moreira.

Blocos e consumo

A presença de blocos tradicionais e já conhecidos pode ajudar o movimento. Entre os destaques do Carnaval do Grande ABC estão o Bloco do Madruga, o Bloco do Marola, o Bloco Baixaria e o Bloco Canta Pra Descer, entre outros, que atraem públicos variados e movimentam diferentes regiões das cidades, criando um ambiente propício para o comércio local.

Outro ponto fundamental é o investimento do poder público em infraestrutura. De acordo com o dirigente, ações como organização do trânsito, reforço na segurança, limpeza urbana, apoio logístico aos blocos e estrutura adequada para receber o público são decisivas para garantir uma experiência positiva ao folião. “Quando bem planejado, o Carnaval gera impacto econômico, promove lazer e fortalece a identidade cultural da região”, entende Beto Moreira.

Hospedagens

A rede hoteleira também entra nesse circuito de oportunidades. Pela proximidade com a Capital, o Grande ABC está colado em São Paulo, hotéis da região podem atrair hóspedes que buscam preços mais competitivos, facilidade de deslocamento e alternativas à superlotação da capital durante o Carnaval. “Isso contribui para elevar a taxa de ocupação e posicionar o ABC como uma opção inteligente. A cidade de São Paulo não comporta toda a demanda e aqui o turista pode encontrar melhor custo-benefício”, destaca Paulo Tinoco.

O Carnaval de São Paulo 2026 projeta recorde com 16,5 milhões de foliões e uma movimentação financeira estimada em R$ 3,4 bilhões. O evento contará com 627 blocos.

“Mais do que festa, o Carnaval no Grande ABC representa oportunidade de consumo, estímulo ao turismo regional e fortalecimento da economia local. Ao unir iniciativa privada, poder público e manifestações culturais, a região dá passos importantes para transformar a folia em desenvolvimento, mantendo o folião por perto, consumindo, celebrando e movimentando as cidades do ABC”, explica Beto Moreira.

Sobre o Sehal

Fundado em 12 de julho de 1943, o Sehal é uma entidade sindical patronal sem fins lucrativos que representa e apoia empresários do setor de hospedagem e alimentação no Grande ABC. Com atuação focada na valorização e no fortalecimento do segmento, o sindicato investe continuamente na qualificação e atualização dos empresários, promovendo a reciclagem de conhecimentos em diversas áreas estratégicas. Reconhecido como um dos sindicatos patronais mais atuantes do Brasil, o Sehal se destaca pelas conquistas alcançadas ao longo de sua trajetória e pela constante ampliação do número de associados.

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