RECLAMAÇÕES CONTRA A SABESP DISPARAM APÓS PRIVATIZAÇÃO E BATEM RECORDE DESDE 2011

Principal vitrine da gestão do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), a privatização da Sabesp, hoje alvo de críticas de prefeitos e de consumidores, tem se tornado mais uma dor de cabeça para a administração estadual, que já acumula série de críticas, atrasos e questionamentos públicos.
No caso da Sabesp, Tarcísio afirmava que, após a conclusão do processo de venda de parte da participação acionária do governo na companhia estadual de abastecimento, o sistema iria melhorar e não haveria aumento nas contas.
Mas o que se vê é um conjunto de reclamações, especialmente nas cidades do Grande ABC, pela elevação das cobranças. Nosso canal tem mostrado, há meses, casos de moradores da região, especialmente de São Bernardo do Campo, de contas exorbitantes, vazamentos constantes e a demora no atendimento.
A privatização foi concretizada no dia 23 de julho de 2024, quando o governo finalizou a venda de 32% das ações na B3, bolsa de valores de São Paulo. Somente nesta operação, foram depositados R$ 14,7 bilhões nos cofres públicos.
Diversas entidades de proteção ao consumidor, o Observatório Nacional dos Direitos à Água e ao Saneamento e o Sindicato dos Trabalhadores em Água, Esgoto e Meio Ambiente acionaram o Ministério Público (MP) e o Tribunal de Contas do Estado (TCE-SP) para cobrar providências sobre os problemas enfrentados pelos usuários.
Um relatório de uma empresa contratada pelo próprio governo de São Paulo apontou que o tema se tornou um dos principais focos de crítica ao governo nas redes sociais da administração estadual.
Segundo a Agência Reguladora de Serviços Públicos do Estado de São Paulo (Arsesp), as reclamações contra a Sabesp mais do que triplicaram no primeiro ano após a privatização. Em julho de 2024, foram 567 queixas. Em agosto de 2025, este número subiu para 1.651 — o maior volume de reclamações contra a companhia desde 2011.
A Sabesp afirma que o plano de investimentos de R$ 70 bilhões, previsto até 2029, vai garantir mais acesso à água e ao tratamento de esgoto na área de concessão.
