Mesmo vivendo um momento de crescimento dentro de campo, onde está disputando a Série B do Campeonato Brasileiro, o São Bernardo Futebol Clube ainda enfrenta um desafio importante fora das quatro linhas: a relação com a própria torcida. Entre críticas recorrentes estão a falta de comunicação da diretoria, ausência de produtos oficiais e a inexistência de um programa de sócio-torcedor.

Para muitos torcedores, o clube ainda está distante da cidade que representa. A divulgação dos jogos, por exemplo, é considerada insuficiente. Sem campanhas mais amplas nas ruas, como cartazes, faixas e panfletos, parte da população sequer fica sabendo das partidas. Além disso, quando há divulgação nas redes sociais, ela costuma acontecer em cima da hora, o que dificulta o planejamento do torcedor.

Outro ponto que gera insatisfação é a falta de uma loja oficial. Sem produtos licenciados, como camisetas e agasalhos, os torcedores encontram dificuldades para expressar seu vínculo com o clube no dia a dia. A ausência de um programa de sócio-torcedor também pesa, já que muitos veem na iniciativa uma forma de contribuir financeiramente e, ao mesmo tempo, se sentirem mais próximos do time.

A distância física também é um fator simbólico dessa relação. O centro de treinamento do clube fica fora da cidade, no caso em Atibaia, o que reduz as chances de contato entre jogadores e torcedores, enfraquecendo ainda mais o sentimento de proximidade.

Apesar de todos esses obstáculos, o apoio da torcida segue firme. O torcedor Rafael Gouvea, de 20 anos, resume bem esse sentimento de fidelidade mesmo diante das dificuldades: “Eu não abandono o São Bernardo mesmo com todos esses impasses porque esse foi o time que eu escolhi, é o time que representa a cidade, o time que eu aprendi a amar. Já vivi vários momentos, chorei de felicidade e de tristeza”, disse.

“O São Bernardo transcende qualquer barreira que possa existir. É um clube que vem em uma crescente há anos, e se eu não abandonei quando estávamos na Série A2, sem perspectiva, não vai ser por conta da diretoria que não acolhe a torcida que eu deixarei de amar o São Bernardo”, finalizou ele.

O torcedor Artur Evaristo dos Santos, de 20 anos, destaca essa sensação de afastamento no dia a dia: “Eu avalio que existe uma distância entre a torcida e o clube, e não me sinto próximo do clube. A falta de informação prejudica até na compra de ingressos, e muitas vezes temos que nos virar para saber sobre os jogos.”

Já Lucas Eduardo Almeida, de 31 anos, reforça as críticas, principalmente em relação à comunicação institucional: “Avalio de forma negativa a relação do clube com a cidade, principalmente pela falta de divulgação dos jogos. Muitas vezes não vemos ações básicas, como faixas ou panfletos, e quando há divulgação online, acontece muito em cima da hora.”

Mesmo diante desse cenário, a torcida segue presente e engajada. Muitos assumem, por conta própria, a missão de divulgar partidas e mobilizar público, demonstrando que o apoio ao clube vai além das dificuldades estruturais.

FOTO: Carvalho Janes

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