Diretora da Faculdade de Ciências e Letras do câmpus de Assis da Unesp, Renata Udulutsch explica a proposta do novo curso que será oferecido no Vestibular Unesp Meio de Ano: ‘O estudante formado neste curso vai ter um leque de oportunidades’, dizNa última terça-feira, 10 de fevereiro, o Conselho Universitário da Unesp aprovou o curso de língua e cultura chinesas, inédito no país, para somar às graduações oferecidas pela Universidade. As primeiras 40 vagas serão incluídas no Vestibular Unesp Meio de Ano 2026, com previsão de ingresso da primeira turma em agosto.

nova graduação vai oferecer aos estudantes a possibilidade de fazer parte dos estudos no Brasil e parte na China, na Universidade de Hubei. Estes discentes terão oportunidade de obter duplo diploma, com ênfase em relações comerciais internacionais. O país asiático é o principal parceiro comercial do Brasil, uma relação que movimentou cerca de US$ 171 bilhões em 2025.

Uma das idealizadoras desta proposta, a diretora da Faculdade de Ciências e Letras (FCL) do câmpus de Assis, professora Renata Giassi Udulutsch, detalha a iniciativa inovadora nesta entrevista ao Portal da Unesp e explica que o curso surgiu a partir de uma demanda regional real, cujo pano de fundo é a crescente influência chinesa no mercado global.

Portal da Unesp: Como foi aprovada no Conselho Universitário da Unesp, existe uma estrutura curricular neste moldes em outra instituição de ensino superior no Brasil?
Diretora da FCL-Assis: É inovadora. Na verdade, neste formato, é o primeiro curso na América Latina. A gente tem cursos semelhantes nos Estados Unidos e na Inglaterra. Usamos, inclusive, como base para essa proposta. Nesses outros países, existe um curso chamado “Estudos Chineses”, que é uma proposta que se assemelha mais à nossa, que leva em conta o estudo da língua, cultura e um pouco de comércio exterior. No nosso caso, neste curso, a ideia foi unir uma demanda atual, pensando no papel da China neste momento no cenário global, tanto do ponto de vista econômico como científico-tecnológico.

Portal da Unesp: Como foram trabalhados os aspectos múltiplos deste curso?
Diretora da FCL-Assis: Pensando em China, que tem uma cultura milenar, não basta você conhecer apenas a língua. Como você transita por várias outras áreas (da cultura chinesa)? A ideia deste curso vem daí, pensando em unir o estudo da língua, porque precisa falar chinês, com cultura, política, filosofia, economia e essas questões comerciais. Muitas pessoas perguntavam ‘por que não é uma especialização?’ Porque não é suficiente para abranger todas estas áreas apenas em uma especialização. Foi por isso que foi pensado em um curso de graduação. É inovador. A Unesp está à frente neste cenário.

Portal da Unesp: Quais os pilares do curso? Qual profissional se pretende formar?
Diretora da FCL-Assis: Como ele tem uma gama muito grande de áreas envolvidas, pensando em cultura, em língua, em filosofia, o estudante formado neste curso vai ter um leque de oportunidades. Se for pensar estritamente nas duas ênfases, ou ele vai trabalhar diretamente com a língua, após a ênfase em tradução, pensando em língua e literatura especialmente, ou com relações comerciais internacionais, neste papel que a China tem desempenhado. São várias empresas chinesas sendo instaladas no Brasil neste momento precisando de pessoas que entendam não só da língua, mas também do comércio exterior e das relações Brasil-China. Esses dois pontos são fortes, mas tem uma série de outras áreas em que o formado poderá atuar, como por exemplo em relações internacionais.

Portal da Unesp: Ao formatar esta proposta do curso, que se trata de uma graduação presencial, vocês pensaram em uma interface com a região em que o câmpus de Assis está inserido?
Diretora da FCL-Assis: Nós temos várias cartas de apoio de entidades da região do entorno de Assis que, na hora que ficaram sabendo deste curso, foram ao câmpus conversar com a gente falando de uma série de oportunidades que isso abriria para as empresas locais, em termos de poder ter um comércio com a China, de ter um profissional que atuasse nessa ponte. O curso atende a uma demanda regional e este é um ponto-chave. Na região, no oeste paulista, temos o consórcio intermunicipal do Vale do Paranapanema, que congrega 49 municípios. Tivemos várias reuniões com as prefeituras, com as indústrias, com os sindicatos regionais e todos demonstraram interesse nesse curso, inclusive foi daí que veio a ideia do curso ser noturno, pensando em pessoas que já estão inseridas no mercado de trabalho poderem ter formação aprofundada na área.

Leia a entrevista completa no Portal da Unesp.

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