EM VISITA À PINACOTECA, PACIENTES DO CENTRO ESPECIALIZADO EM REABILITAÇÃO DE SÃO BERNARDO FAZEM EXPERIÊNCIA CULTURAL INCLUSIVA

Unidade de saúde promove iniciativa guiada pelo próprio artista Daniel Melim; atividade visa inclusão social e contou com mediação em Libras, garantindo acessibilidade à comunicação no local
Promover a circulação das pessoas com deficiência nos espaços públicos é um dos pilares da inclusão social e da reabilitação. Com esse objetivo, o CER IV (Centro Especializado em Reabilitação) de São Bernardo realizou uma visita à Pinacoteca do município, em atividade realizada em conjunto com o espaço cultural, onde ocorre a exposição do artista Daniel Melim.
A ação organizada pelas equipes de reabilitação do CER IV se dá em parceria com o artista, responsável pela exposição “Reflexos Urbanos”. A visita contou com mediação em Libras (Língua Brasileira de Sinais), sendo conduzida pelo próprio artista como guia, com apoio da psicóloga Mara Castro na tradução simultânea, garantindo acessibilidade à comunicação durante toda a experiência. Também foram disponibilizados recursos como obras adaptadas em braile, experiências táteis e uso de aplicativo de comunicação alternativa para pessoas com deficiência não verbal.
Foram convidados usuários com diferentes tipos de deficiência: visual, auditiva, física, intelectual e TEA (Transtorno do Espectro Autista), além de familiares e responsáveis. Também participaram profissionais da equipe multidisciplinar do CER IV, incluindo psicólogos, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais, fisioterapeutas e técnicos em orientação e mobilidade, garantindo suporte integral durante toda a atividade.
Segundo a psicóloga do serviço, Mara Castro, a iniciativa reforça o papel da inclusão na construção de uma sociedade mais consciente. “A ideia é proporcionar uma experiência de conhecer a cidade e seus espaços culturais, além de promover a interação entre pessoas com diferentes deficiências. É uma vivência prática da inclusão, que contribui diretamente para o desenvolvimento da autonomia e da participação social”, destacou.
A técnica em orientação e mobilidade Helenice de Oliveira ressaltou a importância dessas experiências especialmente para pessoas com deficiência visual. “Nosso trabalho é garantir que essas pessoas tenham acesso aos ambientes com autonomia. A partir do processo de reabilitação, elas desenvolvem habilidades para a vida diária, mobilidade e uso de tecnologias assistivas, o que amplia as possibilidades de circulação pela cidade e participação social”, explicou.
ACESSIBILIDADE – O artista Daniel Melim enfatizou que a exposição foi concebida desde o início com foco na acessibilidade e no pertencimento. “Pensar a arte é também pensar na diversidade de públicos. Criamos recursos para que pessoas com diferentes deficiências possam vivenciar a exposição de forma sensorial, com toque, textura e interação. É um espaço de convivência, troca e construção coletiva”, afirmou.
APOIO ÀS FAMÍLIAS – Referência no município, o CER IV oferece atendimento especializado e multiprofissional a pessoas com deficiência, com foco na reabilitação, autonomia e inclusão social. O acesso ao serviço é realizado por meio de encaminhamento das UBSs (Unidades Básicas de Saúde), assegurando organização do cuidado dentro da rede municipal.
A unidade atua de forma individualizada, considerando as necessidades específicas de cada usuário e também de seus familiares. Mãe de três crianças autistas acompanhadas pelo serviço, Luana destacou o impacto desse cuidado ampliado. “Quando recebi o diagnóstico dos meus filhos, busquei entender como poderia ajudá-los a ter uma vida plena dentro das suas particularidades. No CER, eles têm acompanhamento com diversos profissionais e se desenvolvem respeitando o tempo e as necessidades de cada um”, relatou.
Ela também ressalta o acolhimento oferecido a toda família. “O CER não cuida só deles, cuida de mim também. Tenho apoio psicológico, orientação e acompanhamento. É um serviço que olha para o indivíduo, não de forma genérica, mas respeitando cada história e cada necessidade”, afirmou.
BENEFÍCIO – O adolescente Jorge Henrique, de 14 anos, usuário do serviço, também relatou a experiência positiva e o impacto do acompanhamento no CER. “Nunca tinha vindo à Pinacoteca e gostei muito da exposição. Conheci o artista e achei ele muito gente boa. Lá no CER, aprendi a me expressar melhor e a falar sobre o que sinto. Antes eu ficava muito nervoso, não conseguia me controlar, e hoje já consigo conversar, me abrir mais e entender minhas emoções”, contou.


