“NÃO QUERIA DEIXAR MINHA FILHA SOZINHA”: DOR E CLAMOR POR JUSTIÇA MARCAM DESPEDIDA DE MARIANE

O silêncio do Cemitério Municipal foi rompido por aplausos, choros contidos e um grito uníssono de “Justiça” na manhã vdesta quinta-feira (19). O sepultamento de Mariane, jovem de 28 anos m0rta pelo ex-marido na última terça-feira (17), foi marcado por uma comoção profunda que paralisou o Núcleo Habitacional Nova Conquista e a região da Paulicéia.
Um dos momentos mais tocantes da cerimônia foi a presença da mãe de Mariane. Baleada no rosto pelo ex-genro durante o ataque que vitimou a filha, a mulher de 58 anos recebeu alta hospitalar a tempo de prestar sua última homenagem.
Debilitada fisicamente e visivelmente abalada, ela precisou ser amparada por amigos e familiares durante todo o trajeto até o jazigo. Em um desabafo dilacerante que emocionou os presentes, ela repetia que “não queria deixar a filha sozinha no cemitério”, recusando-se a sair de perto do caixão até o último instante.
Protesto e Indignação
Enquanto a família buscava forças para a despedida, dezenas de amigas da vítima transformaram o luto em luta. Vestindo camisetas brancas com o rosto de Mariane e frases pedindo o fim do feminicídio, o grupo realizou um protesto silencioso que ganhou voz ao final do sepultamento.
“Ele foi um covarde. Chegou atirando como um maluco”, desabafou o Sr. Maurício, pai de Mariane e avô das crianças que presenciaram a barbárie.
Marcas que Ficam
Além da perda irreparável, a família agora lida com o trauma dos sobreviventes. A filha mais velha de Mariane, de apenas 8 anos, já compreende a gravidade do que aconteceu. Segundo o avô, a menina chegou a questionar por que o pai teria cometido tal ato contra a mãe após ver as notícias.
O feminicídio
Autor: Bruno de Oliveira Zeni, 30 anos (CAC – Colecionador, Atirador e Caçador).
Motivação: Inconformismo com a separação e tentativa de levar o filho de 2 anos à força.
Status: Foragido.

