A procuradora da República Gisele Bleggi Cunha tornou-se alvo de comentários ofensivos e manifestações de cunho misógino nas redes sociais após a divulgação de um vídeo publicado no perfil do prefeito de Propriá (SE), Luciano de Menininha (PP).

Na gravação, o prefeito anuncia a presença da procuradora no município e menciona sua participação em atividade relacionada ao Seminário Regional de Licenciamento Ambiental. A publicação destacava o encontro como um momento de orientação e troca de informações entre o Ministério Público Federal e a administração municipal sobre temas ligados à preservação ambiental.

Após a circulação do vídeo, parte dos comentários passou a direcionar críticas à aparência da procuradora, com referências à forma de se vestir, às tatuagens e ao estilo pessoal. A publicação alcançou cerca de 2,5 milhões de visualizações, o que ampliou o alcance das manifestações. Posteriormente, os comentários foram bloqueados.

Diante da repercussão, entidades ligadas à advocacia e ao Ministério Público divulgaram notas públicas em solidariedade à procuradora.

A Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Sergipe (OAB/SE) afirmou acompanhar com preocupação as manifestações registradas nas redes sociais e destacou que ataques pessoais ultrapassam os limites da liberdade de expressão.

Segundo a entidade, “a crítica de ideias, posicionamentos ou manifestações públicas integra o ambiente democrático e deve ser preservada. Entretanto, o que se observa neste caso não é o exercício legítimo da crítica, mas a disseminação de ofensas, preconceitos e manifestações que atentam contra a honra, a dignidade e a imagem de uma mulher no exercício de função pública”.

A nota acrescenta que as redes sociais não podem ser consideradas um espaço sem responsabilidade e afirma que tentativas de desqualificar mulheres que ocupam funções institucionais representam uma forma de violência que não deve ser naturalizada no debate público.

A Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR) também divulgou manifestação de apoio à integrante do Ministério Público Federal. Na nota, a entidade afirmou que a procuradora tem sido alvo de ataques e manifestações depreciativas relacionadas à sua aparência física.

A associação declarou que repudia “qualquer forma de exposição vexatória, intolerante, sexista ou desrespeitosa” e destacou que críticas à atuação funcional devem ocorrer no campo das ideias e dos argumentos jurídicos, jamais por meio de ataques pessoais.

A ANPR reiterou solidariedade à procuradora e afirmou que prestará apoio institucional para a adoção das eventuais providências legais cabíveis.

As manifestações ocorreram no mês de março, período em que diversas instituições promovem reflexões sobre os direitos das mulheres e o enfrentamento às diferentes formas de violência de gênero.

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