TOYOTA DEVERÁ INDENIZAR EX-LÍDER VÍTIMA DE XENOFOBIA EM CASO OCORRIDO NA ANTIGA FÁBRICA DE SÃO BERNARDO
A Terceira Turma do Tribunal Superior do Trabalho (TST) manteve a condenação da Toyota do Brasil ao pagamento de R$ 238 mil por danos morais a um ex-líder de equipe que sofreu assédio moral e xenofobia na fábrica da empresa em São Bernardo do Campo. A decisão responsabiliza a montadora por não adotar medidas para impedir as agressões praticadas por um subordinado, que resultaram em depressão grave no trabalhador.
Segundo o processo, o funcionário trabalhou por 20 anos na empresa e os problemas começaram em 2014, quando passou a ser alvo de ofensas constantes de um técnico em química da equipe. Natural da Bahia, ele era chamado de “rato” e ouvia que “nordestino não estava preparado para ser chefe”. Testemunhas também relataram que o agressor fazia comentários discriminatórios contra pessoas negras e desrespeitava a hierarquia.
Entre 2014 e 2016, o trabalhador apresentou 15 reclamações à empresa sobre o relacionamento com o subordinado e reuniu laudos e atestados médicos emitidos por profissionais indicados pela própria Toyota, que apontaram quadro de depressão relacionado ao ambiente de trabalho. A empresa alegou que a doença não tinha relação com o serviço e que não exercia pressão capaz de afetar a saúde psicológica do empregado.
O juízo de primeira instância e o Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região reconheceram que a perícia comprovou o vínculo entre as ofensas e a depressão grave com sintomas psicóticos. Durante uma audiência, o trabalhador sofreu uma crise de ansiedade e precisou de atendimento do Samu.
FÁBRICA FECHOU AS PORTAS EM 2023
Os fatos ocorreram quando a unidade da Toyota ainda operava no bairro Planalto. Inaugurada em 1962, foi a primeira fábrica da montadora fora do Japão e encerrou as atividades em novembro de 2023, após 61 anos de funcionamento. A produção foi transferida para Sorocaba, Indaiatuba e Porto Feliz.


