A HISTÓRIA DA CAPELINHA DA ESTRADA VELHA DE SANTOS E DO BAIRRO CAPELINHA
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Passando pela Estrada Velha de Santos, sentido Rodovia Índio Tibiriçá, do lado direito em frente ao bairro Capelinha, há uma pequena capela. É a capela de Aparecida. Mas você sabe a história dela?

No começo do século XX, existia no antigo Caminho do Mar, no km 30, uma região de paragem chamada “Caveira”. Ali funcionou a partir de 1915 um dos restaurantes mais conhecidos de seu tempo. O Piemontese Asti in Brasile. Essa com este nome que era anunciado nos jornais da época. Era um ponto de parada antes da descida até o litoral. Como na época as estradas eram de terra e de difícil tráfego para os automóveis da época, muitos faziam somente a descida pela estrada e subiam de trem, trazendo junto o automóvel.

O Ristorante Piemonte pertencia a um casal de italianos da família Quaglia. Ignácio Quaglia e sua esposa Regina Rustihelli Quaglia. Por este motivo o restaurante era conhecido como Restaurante Quáglia. Era frequentado pela Elite paulistana, e patrícios endinheirados que possuíam automóvel na época.

Mas o local foi cenário de um bárbaro crime. Foi numa noite fria do dia 19 de Agosto de 1919, que o casal Quaglia foi brutalmente assassinado por bandidos que invadiram o local para roubar o dinheiro do restaurante. O fato foi notícia em vários jornais da época, como O Estado de São Paulo, O Combate, Correio Paulistano, Correio da Manhã, entre outros. A notícia chegou também a ser noticiada em jornais do Rio de Janeiro. Teve até uma dramatização radiofônica do caso, feita pela Rádio Record em 1948.

Como o crime foi descoberto? Existem duas versões:

1ª versão.

Na manhã de 20 de Agosto daquele ano, Gaudêncio de Castro, eletricista que trabalhava na região, foi atender um pedido da família de Amadeu Tosi, no bairro Varginha. Parou para deixar um litro de leite e estranhou o fato do Restaurante estar fechado naquele horário. Pulou o cercado e chegando na varanda, viu uma grande quantidade de sangue no chão e nos móveis. Gaudêncio empurrou a porta e a muito custo conseguiu abrí-la. Se deparou primeiro com o corpo de Regina Quaglia. Chocado com a cena, chamou Amadeu Tosi e Maximiliano (não se tem o sobrenome) foram ao local para servir de testemunhas do crime e correram para a casa de Antônio Caputo, que telefonou para a delegacia da Capital, comunicando o crime.

2ª versão

Por volta das 11 da manhã, Décio Camargo parou seu carro em frente ao restaurante. Estava descendo para Santos e fez uma pausa ali. Mas estranhou que naquela hora o restaurante estava fechado. Décio resolve entrar pela porta dos fundos do restaurante. Deu alguns passos e viu uma grande quantidade de sangue no chão.Junto a cerca de arame que circundava o jardim, encontrou um pedaço de madeira sujo de sangue, ao lado de uma poça de sangue. Décio se dirigiu a um local chamado “Água Comprida” onde havia pessoas trabalhando no local. Telefonou e comunicou o ocorrido à Polícia Central.

O crime foi cometido por Adriano de Almeida, funcionário do restaurante. O crime foi cometido junto com Clemente João Ferreira, cúmplice de Adriano. Clemente foi preso em Santos e Adriano, em 1931, foi preso no Rio de Janeiro. Clemente foi absolvido e Adriano condenado a 25 anos de prisão, mas conseguiu um habeas corpus ao alegar que o crime já estava prescrito devido a sua idade inferior a 21 anos na época dos fatos, mas acabou preso por outro assassinato que cometeu em Minas Gerais, quando estava em fuga.

O restaurante voltou a funcionar em 1919 com o nome de Quaglia. Quem assumiu o negócio foi Ernesto Rustichelli, irmão de Regina. O estabelecimento continuaria até pelo menos o início da década de 1940, tendo passado por outros donos.

E, em memória ao casal brutalmente assassinado, foi construído por moradores locais, a Capelinha, que hoje se chama Capelinha de Aparecida, mas também ficou conhecida como Capelinha dos Quáglia.

A capelinha, deu nome ao bairro que fica em frente. Bairro Capelinha. Ela foi tombada em 2013 pelo Conselho Municipal do Patrimônio Histórico e Cultural (Compahc-SBC).

Curiosidades

* O Restaurante foi citado por Zélia Gattai no livro “Anarquistas Graças a Deus”, na página 70 no capítulo “RESTAURANTE QUÁGLIA”.

* Além de Zélia Gattai, outros escritores daquela geração como Menotti del Picchia, Plínio Salgado e Jorge Americano mencionaram o crime em suas obras.

* Não se sabe o local exato do restaurante. A região da “Caveira” aparece em alguns mapas, mas como o traçado da Estrada Velha de Santos foi alterado para a construção da Represa Billings, sabe-se apenas que a capelinha construída ficava próximo ao restaurante.

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Ednilson Teixeira
Batateiro.
Pesquisador das curiosidades da cidade.
Administrador do grupo de Fotos Antigas de São Bernardo do Campo
Autor do livro Fotos Antigas de São Bernardo do Campo – Álbum Ilustrado (para adquirir o livro entre no site http://www.fotosantigas.saobernardo.br).
MTB n° 0089656/SP
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Fotos: Centro de Memória de S.B.C., Google Street View e o Estado de São Paulo.

Fontes:

Correio Paulistano – 22 de Janeiro de 1920. Versão em PDF.

Jornal O Combate – 21 de Agosto de 1919. Versão em PDF

Correio da Manhã – 22 de Agosto de 1919. Versão em PDF

O Estado de São Paulo – 22 de Janeiro de 1920. Versão em PDF e no Acervo do Jornal.

Seção “Você Sabia?” – Secretária de Cultura e Juventude de São Bernardo do Campo – Texto de Jorge Jacobine. – https://www.facebook.com/groups/1698118567066852/posts/2174212819457422/

Seção “Você Sabia?” – Secretária de Cultura e Juventude de São Bernardo do Campo – Texto de Rodolfo Scopel – https://www.facebook.com/groups/1698118567066852/posts/2322410077971028/

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1 thought on “A HISTÓRIA DA CAPELINHA DA ESTRADA VELHA DE SANTOS E DO BAIRRO CAPELINHA

  1. PARABÉNS PELA MATÉRIA; BOM SABERMOS A HISTÓRIA; QUE ORIGINOU NOME DO BAIRRO. ASSIM TAMBÉM TENDO CONHECIMENTO DOS FATOS.

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