EBOLA AVANÇA EM ÁREAS URBANAS E AMPLIA SURTO NA REPÚBLICA DEMOCRÁTICA DO CONGO
O surto de Ebola na República Democrática do Congo registrou o maior número de casos confirmados para um primeiro mês entre todos os episódios da doença, segundo informou a Organização Mundial da Saúde (OMS) em coletiva realizada nesta terça-feira (23), em Genebra, na Suíça.
De acordo com representantes da OMS, o avanço do vírus para áreas urbanas contribuiu para a rápida disseminação da doença. O surto da cepa Bundibugyo já infectou mais de mil pessoas e provocou 267 mortes. Especialistas afirmam que o vírus circulava havia meses antes de o surto ser oficialmente declarado em 15 de maio.
Segundo a OMS, parte da magnitude do surto está relacionada ao fato de alguns dos primeiros casos confirmados terem sido registrados em centros urbanos, como Bunia e a cidade mineradora de Mongbwalu. A organização informou ainda que houve aumento no número de leitos para tratamento da doença, que ultrapassou 500 vagas nas últimas duas semanas, e apontou sinais de redução da resistência das comunidades às equipes de combate ao Ebola.
CRIANÇAS REPRESENTAM MAIS DE 25% DAS MORTES REGISTRADAS
O UNICEF alertou que cerca de 2,95 milhões de crianças e adolescentes vivem nas áreas atingidas pelo surto de Ebola no leste da República Democrática do Congo. Segundo a agência da ONU, os menores de 18 anos representam 54% da população das 31 zonas sanitárias afetadas pela doença.
Dados atualizados até 19 de junho indicam que crianças e adolescentes correspondem a cerca de 15% dos casos confirmados de Ebola e mais de 25% das mortes registradas no atual surto. O UNICEF destaca ainda que menores infectados têm quase o dobro de probabilidade de morrer em comparação aos adultos.
A província de Ituri segue como principal foco da epidemia, especialmente nas zonas sanitárias de Mongbwalu, Rwampara e Bunia. Em Ituri, pelo menos 135 crianças ficaram órfãs em decorrência da doença e recebem acompanhamento psicossocial e assistência social.
Além do risco de contágio, o UNICEF afirma que a epidemia compromete serviços essenciais como saúde, vacinação, nutrição, educação, abastecimento de água e proteção social. A organização também alerta para o aumento do estigma, do sofrimento psicológico e da vulnerabilidade à violência, especialmente entre meninas.
A epidemia já ultrapassou as fronteiras da República Democrática do Congo. Em Uganda, foram confirmados 20 casos de Ebola e duas mortes entre pessoas que chegaram do país vizinho em busca de atendimento médico. Entre os casos registrados estão crianças, e outras 19 pessoas permanecem em quarentena sob observação.
Para os próximos seis meses, o UNICEF estima a necessidade de US$ 70,7 milhões para financiar sua resposta à crise humanitária, dos quais US$ 20 milhões ainda não foram garantidos.
Foto: Reprodução/Vatican News



