No dia 2 de fevereiro (segunda-feira), a Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS) promoveu o painel “Formar para o Futuro – inteligência artificial, habilidades socioemocionais e mercado de trabalho”. O evento foi destinado a estudantes dos programas de pós-graduação stricto sensu da USCS e docentes da universidade. A USCS recebeu as profissionais Karen Cristine Teixeira, gerente de pesquisas e membro do Edulab21 – Laboratório de Ciências para a Educação do Instituto Ayrton Senna, e Emely Pujólli da Silva, cientista de dados, doutora em engenharia elétrica com ênfase em engenharia da computação pela Unicamp.

“Como formar em um mundo que mudou mais rápido do que os nossos currículos? Tudo é muito mais acelerado do que conseguimos fazer na universidade. Vivemos uma mudança com potencial da revolução industrial, mas tão rápida quanto a internet e é algo que deve ser discutido.”, explicou o reitor da USCS, professor Leandro Prearo, ao dar início ao painel que ele mesmo mediou.

Após a abertura, as profissionais convidadas fizeram a apresentação de seus conteúdos destacando a questão de “potencializar, não substituir”, apresentando e discutindo as relações sobre a IA e competências socioemocionais aplicadas à profissão docente.

Karen Cristine Teixeira (Instituto Ayrton Senna) apresentou o laboratório em que atua e as pesquisas desenvolvidas na área, principalmente voltadas à educação básica.

Emely (Unicamp) discutiu o conceito de IA, os exemplos do dia a dia, as etapas de seu desenvolvimento, exemplos práticos, processo de metodologias de prompt, benefícios e restrições da IA e o papel do docente em transformação diante deste novo cenário.

As profissionais destacaram que, atualmente, outras competências ganharam destaque na profissão, como o pensamento crítico, a flexibilidade e a resiliência emocional. Porém fatores como domínio de conteúdo e clareza expositiva não deixam de estar entre as habilidades mais importantes. “O fato é que se deslocou um pouco a importância de somente passar o conteúdo para a importância da experiência na educação”, explica Karen.

Foi destaque também na apresentação a importância da valorização das competências socioemocionais dos docentes e seu valor na saúde mental, no bem-estar de forma geral, no auto eficácia docente, no desenvolvimento da identidade profissional, ressaltando que a condição afeta também o desempenho dos estudantes, causa impactos na aprendizagem e em seu desenvolvimento integral.

A cientista de dados explica que a chegada da IA vem como parceira, não substituta, em um cenário em que o professor é menos executor e tem um papel mais de gestor e decisor. “A IA é automatização, mas o que é essencialmente humano no fazer docente permanece, como empatia, vínculo pedagógico, autorregulação emocional, julgamento ético e responsabilidade”, explica Emely.

No atual cenário, as empresas tendem, então, a buscar profissionais com o entendimento das ferramentas de IA, alta inteligência emocional, capacidade de colaboração humano-máquina e responsabilidade ética nas decisões. Quanto mais a IA assume tarefas técnicas, mais as competências humanas se tornam centrais. Empatia, comunicação ética e autorregulação deixam de ser soft skills e passam a ser competências estratégicas.

Foi apresentado ainda o projeto “Viva Bem: Centro de Inteligência Artificial Aplicada à Saúde e Bem-Estar da Universidade de Campinas”. A iniciativa permite a identificação e análise precisas de padrões comportamentais no corpo humano, auxiliando na detecção precoce de problemas de saúde e bem-estar. É vencedor do 18º Prêmio Inventores 2025 (Inova Unicamp). O projeto pode ser acessado em: vivabem.unicamp.br.

Sobre as painelistas:
Profª. dra. Karen Cristine Teixeira. Doutora em psicologia pela UFSC, com ênfase em avaliação psicológica em saúde e desenvolvimento. Foi bolsista Capes com “bolsa sanduíche” na universidade de Lisboa junto à faculdade de motricidade humana. atualmente atua como gerente de pesquisas e membro do Edulab21 – laboratório de ciências para educação – do Instituto Ayrton Senna.
Profª. dra. Emely Pujólli da Silva. Cientista de dados, doutora em engenharia elétrica com ênfase em engenharia da computação pela Unicamp. Atualmente, trabalha como pesquisadora de pós-doutorado na universidade estadual de campinas (Unicamp), com pesquisa multidisciplinar nas áreas de inteligência artificial explicável, tecnologias assistivas, reconhecimento de padrões e processamento de sinais.

Ana Paula Lazari (MTb 46.964)
3/2/26
Foto: Cauê Vinicius.

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