Levantamento do Coren-SP revela que 355 profissionais da região já sofreram algum tipo de agressão; maioria dos casos envolve pacientes e ocorre na rede pública

A violência contra profissionais de enfermagem será tema de uma audiência pública na Câmara Municipal de Santo André, marcada para o dia 20 de janeiro, das 19h às 21h, no plenário da Casa, localizado na Praça IV Centenário, nº 2, no Centro. A iniciativa busca dar visibilidade às demandas da categoria, fortalecer a luta por respeito e discutir caminhos concretos para a construção de ambientes de trabalho mais seguros. Para participar, é necessário realizar inscrição prévia pelo site do Conselho Regional de Enfermagem de São Paulo (Coren-SP).

O debate ocorre em meio a um cenário preocupante no Grande ABC, revelado por uma pesquisa estadual realizada entre 29 de março e 31 de maio de 2025, que ouviu 7.745 profissionais de enfermagem, entre enfermeiros, técnicos e auxiliares. Na região, 355 trabalhadores relataram ter sofrido algum tipo de violência no exercício da profissão.

Entre os municípios do Grande ABC, São Bernardo do Campo aparece com o maior número de registros, somando 140 casos, seguido por Santo André, com 90. Na sequência estão São Caetano do Sul (40), Mauá (38), Diadema (33), Ribeirão Pires (11) e Rio Grande da Serra (3).

O perfil das vítimas evidencia o impacto social da violência na saúde: 81,7% dos profissionais que sofreram agressões têm até 50 anos, 85,1% são mulheres e 46,5% se identificam como pretos ou pardos, reforçando a sobreposição de vulnerabilidades enfrentadas pela categoria.

Do total de casos registrados no Grande ABC, a violência verbal é a mais frequente, atingindo 62,8% dos profissionais. As agressões físicas aparecem em seguida, com 26,8%, enquanto a violência psicológica foi mencionada por 4,8%.

A maior parte dessas ocorrências aconteceu em unidades da rede pública, que concentram 66,8% dos casos. Já a rede privada respondeu por 30,7% das agressões.

Outro dado que chama atenção é a subnotificação. Segundo a pesquisa, 69,6% dos profissionais do Grande ABC que sofreram violência não registraram denúncia, enquanto apenas 30,4% formalizaram a ocorrência.

Em 72,7% dos casos, a agressão partiu dos próprios pacientes, seguida por episódios envolvendo acompanhantes, o que evidencia a exposição direta dos trabalhadores da enfermagem no atendimento à população.

Para o presidente do Conselho Regional de Enfermagem de São Paulo, Sergio Cleto, a audiência pública representa um passo fundamental no enfrentamento do problema.

“A violência contra a enfermagem tem impacto direto também na população, que muitas vezes deixa de ser assistida quando o profissional precisa ser afastado para se recuperar. O Coren-SP seguirá em diálogo permanente com o poder público para mudar essa realidade. Podemos até chegar em casa cansados, mas não vamos mais aceitar chegar agredidos”, afirma.

A expectativa é que o encontro contribua para ampliar o debate regional, fortalecer políticas de proteção aos profissionais e estimular medidas efetivas de prevenção à violência nos serviços de saúde.

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