PRESSIONADA POR JUROS ALTOS E DÍVIDA DE R$ 17,3 BILHÕES, CASAS BAHIA PEDE RECUPERAÇÃO JUDICIAL
A Casas Bahia oficializou o pedido de recuperação judicial no Juízo de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo. Encurralada por uma dívida de R$ 17,3 bilhões e após reportar um prejuízo líquido de R$ 10,1 bilhões no segundo trimestre de 2026, a gigante do varejo recorre à proteção da Justiça para tentar estancar uma crise financeira que se arrasta há anos.
O movimento ocorre após uma tentativa de reestruturação por meio de recuperação extrajudicial em 2024. Segundo a companhia, a deterioração das condições econômicas do país — marcada por juros elevados, arrocho no crédito e pressão sobre o consumo — sufocou a capacidade de caixa do grupo.
O pedido de proteção engloba a holding e nove subsidiárias estratégicas, incluindo a Indústria de Móveis Bartira, a Casas Bahia Tecnologia e braços logísticos como a ASAP Log e a Cntlog Express.
Ajuste drástico no quadro e operação
Para tentar reequilibrar as contas, a diretoria adotou um plano de contingência severo neste mês:
Cortes de pessoal: Demissão de cerca de 3 mil funcionários, o equivalente a 10% do quadro total.
Encerramento de lojas: Fechamento de quase 300 pontos de venda físicos para reduzir custos operacionais e rever estoques.
Impacto contábil: Do prejuízo de R$ 10,1 bilhões, cerca de R$ 9,1 bilhões referem-se a eventos não recorrentes, como baixa de ativos e despesas de reestruturação.
A crise também provocou baixas na alta cúpula: os conselheiros Jackson Schneider e Rogério Calderón Peres, além do vice-presidente Jurídico e Tributário, Fabio Spina, renunciaram aos seus cargos.
Se o pedido for deferido pela Justiça, as cobranças contra a Casas Bahia ficarão suspensas por 180 dias, garantindo fôlego para a negociação com credores enquanto as lojas continuam funcionando.



