TARCÍSIO CRITICA IMPUNIDADE: “NÃO É POSSÍVEL PRENDER UM LADRÃO DE CELULAR 30 VEZES”
- Governador defendeu integração com guardas civis metropolitanas para ampliar cobertura e combater criminalidade no Estado
- Em evento no SindHosp, Tarcísio defendeu o SUS Paulista e afirmou que telemedicina e IA podem promover “revolução no acesso à saúde”
São Paulo, 17 de agosto de 2026 – O governador de São Paulo e candidato à reeleição, Tarcísio de Freitas (Republicanos), afirmou nesta segunda-feira (17) que o sistema penal é um dos principais problemas para o combate à criminalidade no Brasil. “Não é possível prender um ladrão de celular 30 vezes, 35 vezes. Já prendemos quatro sequestradores em flagrante e vimos os quatro serem liberados em audiência de custódia um dia depois”, criticou, durante o evento Diálogos da Saúde, realizado pelo SindHosp (Sindicato dos Hospitais, Clínicas e Laboratórios do Estado de São Paulo).
No encontro, mediado pelo presidente da entidade, Francisco Balestrin, empresários e executivos do setor fizeram perguntas diretamente ao candidato. O Diálogos da Saúde contou com o apoio da FESAÚDE (Federação dos Hospitais, Clínicas e Laboratórios do Estado de São Paulo).
Ao apresentar a sua visão para a segurança pública, Tarcísio também citou a alta demanda como desafio do Estado. “Recebemos 22 milhões de chamados por ano, mais de 60 mil ocorrências por dia. A demanda é gigantesca. Precisamos reforçar e ajudar as guardas civis metropolitanas”, defendeu, como estratégia para melhorar a cobertura em todo o estado.
Tarcísio foi o segundo candidato ao governo a participar do Diálogos da Saúde. Na semana passada, o ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad, candidato ao governo pelo PT, abriu a série de encontros com postulantes ao Executivo paulista. O evento também recebeu, no primeiro semestre deste ano, os pré-candidatos à Presidência da República Romeu Zema, Ronaldo Caiado e Eduardo Leite. Os encontros visam a discutir propostas e temas ligados à saúde e a políticas públicas com impactos para o bem-estar da população.
Ao comentar a dificuldade de ampliação de acesso à saúde, Tarcísio afirmou acreditar que “telemedicina e inteligência artificial” são capazes de promover uma revolução nesse campo. “A telemedicina na atenção básica vai revolucionar o acesso. No sistema prisional temos uma economia da ordem de R$ 120 milhões/ano para atendimento ao custodiado, evitando deslocamento e outros custos”, afirmou.
Em diversos momentos, Tarcísio fez menção à tabela SUS paulista. “A gente remunera três, quatro, cinco vezes o que o SUS remunera”, disse Tarcísio, vinculando a iniciativa a um conjunto de reformas. “Em São Paulo, criamos uma maneira criativa de financiar o SUS. Isso foi possível com reforma administrativa, privatização, concessões, enxugamento. O dinheiro é finito. Não adianta imaginar que você vai abrir leitos, remunerar santas casas, se o dinheiro não sair de algum lugar”, afirmou, para defender uma reforma orçamentária no país. “Se não fizermos uma reforma, em pouco tempo, parlamentares vão gastar energia gigantesca e todo esforço vai se dar em torno de 3% do orçamento, até o ponto de não ter o que discutir, porque o orçamento vai estar absolutamente vinculado”, alertou.
Os Inegociáveis da saúde
Francisco Balestrin entregou ao governador o documento “Manifesto dos 5is – Os Inegociáveis da Saúde”, que propõe uma agenda inadiável, voltada à transformação da saúde brasileira, defendendo a ampliação do acesso, o aumento da resolutividade, a melhoria da qualidade assistencial, a redução de desperdícios e a promoção de maior equilíbrio e sustentabilidade para o sistema de saúde. A premissa das proposições é a de que a saúde não pode permanecer à margem das grandes decisões nacionais e deve ser reconhecida como prioridade estratégica do país, acima de governos, ideologias e ciclos eleitorais.
Tarcísio de Freitas elogiou o documento e afirmou que se compromete com os compromissos e prioridades elencadas na proposta, que são: (1) Paciente Único, referente ao estabelecimento de uma identidade clínica única e longitudinal, para acompanhar cada pessoa, em vez de ter como foco os episódios clínicos; (2) Dados Estruturados, com foco na organização de informações estratégicas e operacionais que favoreçam a integração e a interoperabilidade do sistema; (3) Acesso Qualificado, para garantir o cuidado certo no tempo adequado, não apenas cobertura formal; (4) Cuidado Padronizado, com linhas assistenciais bem definidas e priorização de desfechos clínicos, em favor da equidade; e (5) Desperdício Contido, sobre o enfrentamento de perdas clínicas, operacionais e financeiras por meio de governança clínica e corporativa, condição para a expansão e a sustentabilidade do sistema.
“O objetivo dos Inegociáveis da Saúde é oferecer aos candidatos uma proposta suprapartidária, para incorporação aos planos de governo, comprometida com o futuro e elaborada a partir de necessidades urgentes identificadas por quem vivencia a saúde no dia a dia”, resumiu Balestrin.
Crítica às bets
O governador comparou o tabagismo ao vício em Bets, ao alertar para o desafio que as apostas criaram para as famílias brasileiras. “Será que vamos conseguir ser efetivos para livrar as pessoas das bets? Hoje, 45% da renda dos brasileiros está comprometida com banco, juro, consignado. Os outros 25% estão com as bets. Isso está drenando produtividade. Ou o Brasil acaba com a bet ou as bets acabam com o Brasil”, disse Tarcísio.



