VOLKSWAGEN PLANEJA CORTAR MODELOS E AMEAÇA DEMISSÕES EM REESTRUTURAÇÃO GLOBAL PARA ENFRENTAR RIVAIS CHINESAS
A Volkswagen anunciou que pretende reduzir pela metade o número de modelos de veículos em seu portfólio global, em uma tentativa drástica de cortar custos e recuperar competitividade frente às fabricantes chinesas, como BYD e Geely. A medida acompanha um plano de reestruturação profunda que, segundo comunicado interno do CEO Oliver Blume, pode resultar na demissão de até 100 mil funcionários em todo o mundo — o dobro das 50 mil vagas que a montadora já havia planejado eliminar anteriormente.
A empresa alemã tenta se adaptar à transição global para os veículos elétricos e enxugar uma estrutura que, segundo a própria diretoria, tornou-se grande e complexa demais. Blume revelou que os custos da Volkswagen são cerca de 20% maiores que os dos concorrentes e sinalizou que a meta é produzir 9 milhões de carros por ano, contra os 10 milhões atuais e 12 milhões projetados antes da pandemia. O lucro da montadora despencou 28% no primeiro trimestre, somando 1,6 bilhão de euros (R$ 9,33 bilhões).
Apesar da crise global, a operação da Volkswagen no Brasil segue sem impactos imediatos. O país é o terceiro maior mercado em volume de vendas para a marca no mundo, atrás apenas de China e Alemanha, tendo produzido 538.657 veículos em suas três fábricas nacionais em 2025.
Em nota, a montadora garantiu que mantém o plano de investir R$ 16 bilhões no país até 2028, com o desenvolvimento de 17 novos carros para o mercado nacional. “Como uma próxima etapa, trabalharemos junto à nossa matriz, na Alemanha, para avaliar se haverá necessidade de ajustes em nível local”, informou a assessoria da empresa.
Os trabalhadores brasileiros também possuem uma camada extra de proteção. O Sindicato dos Metalúrgicos do ABC informou que as quatro plantas do país estão respaldadas por um acordo coletivo unificado que garante estabilidade de emprego e manutenção das cláusulas sociais até 2028.


