AVENIDA PEREIRA BARRETO: A HISTÓRIA DA PRINCIPAL LIGAÇÃO ENTRE SÃO BERNARDO E SANTO ANDRÉ

Principal via de ligação entre São Bernardo e a região central de Santo André, a Avenida Pereira Barreto originou-se da estrada São Bernardo-Estação Santo André, construída por volta de 1890 para substituir o histórico Caminho do Pilar. Este caminho estava então em más condições de preservação e era alvo de frequentes queixas dos viajantes. Em 1884, um artigo do periódico Correio Paulistano atestava que “desde que chova durante algumas horas, torna-se impossível o trânsito (…) para qualquer veículo e muito dificultoso para os próprios pedestres”. Na época, a importância do trajeto crescia com o surgimento e expansão do Núcleo Colonial de São Bernardo, cujos habitantes utilizavam a rota para levar lenha, carvão e sua produção agrícola para a estação, de onde era encaminhada para São Paulo.

A nova estrada

Percorrendo um relevo menos irregular que sua antecessora, a nova estrada tinha o traçado não só da atual Avenida Pereira Barreto, mas também das avenidas Coronel Fernando Prestes, Oliveira Lima e Queiroz dos Santos. Foi construída para ser estrada de rodagem, ou seja, uma rota para o tráfego de veículos sobre eixos, como as carroças, diligências e carruagens que circulavam naquele tempo.

Desde fins do século XIX, planejou-se a passagem de uma linha de bondes por ela, interligando São Bernardo com a estação. A linha acabou sendo efetivada somente por um curto período, entre 1926 e 1930, quando por lá passou o chamado “bondinho dos Pujol”, extinto devido à falência do grupo imobiliário que o mantinha.

Desde o início da década de 1920, também já circulava no trajeto a jardineira-ônibus de João Setti, estabelecendo-se assim como a primeira linha de ônibus ligando São Bernardo com o então distrito de Santo André. Antes disso, durante a década de 1910, Setti transportava passageiros pelo percurso com um tílburi, guiado por dois cavalos.

Urbanização

Entre as décadas de 1920 e 1950, diversas áreas nas margens do percurso se urbanizaram, principalmente em Santo André, onde, com a expansão para além da região central, surgiram os loteamentos das vilas Gilda, Pinheirinho e Jardim Paraíso, mas também em São Bernardo, onde se desenvolveu a Vila Baeta Neves.

Além disso, instalaram-se em suas margens, no período, as empresas de grande porte Tecelagem Tognato, em São Bernardo, e a Casa Publicadora Brasileira, em Santo André.

A rota recebeu sua atual denominação por volta de 1934, homenageando o médico e político fluminense Luiz Pereira Barreto, ocasião em que ela começou a ser identificada como avenida.

Melhorias e transformações

O aumento da circulação local com a urbanização ampliou a demanda por melhorias na via, o que a tornou assunto recorrente na imprensa local. Em 1952, o jornal Folha do Povo noticiava que a Empresa Auto Ônibus São Bernardo ameaçava não colocar os novos veículos que adquirira em circulação na linha enquanto a avenida não recebesse calçamento.

No início daquele ano, a obra havia começado a ser discutida pelos prefeitos Lauro Gomes, de São Bernardo, e Fioravante Zampol, de Santo André, mas só começaria a ser realizada em 1954. A ela seguiu-se o alargamento da via em diversos trechos, complementado nos anos 1960 e 1970, quando se definiu um novo alinhamento em seu setor são-bernardense.

Nesse período, ela foi adaptada às transformações urbanísticas associadas à construção do Paço Municipal de São Bernardo. Seu trecho inicial foi desviado um pouco para leste e estabeleceu-se a ligação com a Avenida Senador Vergueiro, diante da área atualmente ocupada pelo Shopping Metrópole. A antiga Vila São João, situada em sua margem, foi removida, dando lugar ao prédio do Paço e à Praça Samuel Sabatini.

Corredor de trólebus

Uma última transformação expressiva na avenida ocorreu na segunda metade dos anos 1980, quando foram realizadas as obras de abertura do corredor de trólebus Ferrazópolis-São Mateus, em funcionamento desde outubro de 1988, que percorre 3,6 km da via.

Fonte: Página da Secretaria de Cultura de São Bernardo do Campo (Cultura São Bernardo), com pesquisa, texto e acervo do Centro de Memória de São Bernardo do Campo.

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