RUA MAJOR CARLOS DEL PRETE: CONHEÇA A HISTÓRIA DE UMA DAS VIAS MAIS TRADICIONAIS DO CENTRO DE SÃO BERNARDO

A Rua Major Carlos Del Prete foi projetada pela administração do Núcleo Colonial São Bernardo na década de 1880, juntamente com as ruas Thomé de Souza e Dr. Fláquer. As vias João Pessoa — que é seu ponto de partida — e Bela Vista — uma de suas travessas — eram um pouco mais antigas.

A rua terminava no Córrego Santa Terezinha, hoje encoberto pela Avenida Francisco Prestes Maia. Todas essas denominações, atualmente oficiais, só apareceram ao longo dos anos seguintes. Na sua origem, o entorno da via foi dividido em 17 lotes, quase todos com dimensões semelhantes, de aproximadamente 1.800 m². Alguns terrenos preservam até os dias de hoje o desenho original.

Os primeiros moradores

Em 1897, o recenseamento do Núcleo Colonial São Bernardo mostrou que poucos lotes haviam sido efetivamente ocupados. Alguns nem sequer haviam sido vendidos; outros pertenciam a pessoas que moravam em outras cidades ou em outras áreas da colônia e não possuíam construções.

Entre os primeiros moradores estavam o marceneiro italiano Ângelo Colombo, Carlo e Maria Périgo, Cesare e Irene Matavelli, juntamente com a filha Rosa, além da família Ferrari.

Primeiras transformações

Em 1915, a rua permanecia sem denominação oficial e as famílias residentes continuavam sendo praticamente as mesmas. Naquele período, surgiu um novo marco para a história da via: desde 1913 ela passou a abrigar uma pequena fábrica de móveis fundada por Ângelo Colombo, considerada um dos berços da indústria moveleira de São Bernardo.

Em 1916, a via recebeu sua primeira denominação, Rua Dr. Dupré, possivelmente em homenagem ao Dr. Leandro Dupré, que havia presidido a Inspetoria de Terras, Imigração e Colonização do Estado de São Paulo.

Ainda em 1916 foi construído um sobrado onde atualmente funciona a Escola Terra Mater, na altura do número 55. Posteriormente, o imóvel abrigou uma escola das Irmãs Palotinas, que deu origem ao Colégio São José. Na década de 1960, a Escola Terra Mater passou a funcionar no local.

Também na década de 1920 foi construído, na esquina com a Rua João Pessoa, o sobrado de Rafael Lentini. Entre as décadas de 1980 e 1990, o terreno passou a abrigar o Edifício Villa Lentini.

A origem do nome

Em 1932, a rua passou a se chamar Major Carlos Del Prete. No mesmo ano, a Rua De Pinedo também recebeu oficialmente sua denominação.

As duas vias homenageiam aviadores italianos que ganharam notoriedade na década de 1920. Carlos Del Prete participou, ao lado de Francesco De Pinedo, do histórico “Raid das Américas”, em 1927. No ano seguinte, Del Prete e Arthur Ferrarin estabeleceram recordes mundiais de distância e tempo de voo em circuito fechado e atravessaram o Oceano Atlântico em linha reta, percorrendo 7.188 quilômetros entre a Itália e o Rio Grande do Norte.

Poucas semanas depois, durante um voo de exibição no Rio de Janeiro, Carlos Del Prete sofreu um acidente e morreu em 16 de agosto de 1928. Segundo o Centro de Memória, a escolha do nome da rua está relacionada ao prestígio que as conquistas dos aviadores italianos alcançaram entre as comunidades de imigrantes no Brasil, inclusive em São Bernardo.

Crescimento urbano

Por volta de 1935, o grau de ocupação da rua ainda havia aumentado pouco em relação às décadas anteriores. José Pelosini construiu seis pequenas casas na altura do atual número 76, enquanto João Puglia residia na esquina da Rua Thomé de Souza. No trecho final da via passaram a viver Baptista Decco e Ângelo Martin Bianco.

Em 1957, o crescimento da cidade provocou mudanças mais significativas. A rua passou a atravessar o Córrego Santa Terezinha e se estendeu até encontrar a Rua Laurentino de Azevedo, já no Bairro Nova Petrópolis.

Com a inauguração da Avenida Francisco Prestes Maia, em 1970, esse trecho foi separado da Major Carlos Del Prete e voltou a receber o nome de Rua Dr. Dupré, resgatando a primeira denominação da via.

Indústria moveleira

Entre as décadas de 1930 e o início dos anos 1980, a indústria moveleira marcou a história da rua.

Em 1948 foi fundada a Indústria de Móveis Dom Bosco, na altura do número 127, empregando mais de cinquenta funcionários. Na esquina oposta funcionava a fábrica Irmãos Bellinghausen, criada por volta de 1935 e que chegou a contar com mais de cem trabalhadores.

O desaparecimento das fábricas e das antigas casas térreas, a partir de meados da década de 1980, marcou o fim da vocação industrial da Major Carlos Del Prete.

Desde então, a rua passou a concentrar estabelecimentos de prestação de serviços e edifícios residenciais, integrando a região conhecida como Centro Alto, caracterizada por moradias e comércio voltados às camadas de maior poder aquisitivo da classe média de São Bernardo do Campo.

Na imagem divulgada pelo Centro de Memória aparece a Rua Major Carlos Del Prete em 1976.

Fonte: Página da Secretaria de Cultura de São Bernardo do Campo (Cultura São Bernardo), com pesquisa, texto e acervo do Centro de Memória de São Bernardo do Campo.

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