BAIRRO INDEPENDÊNCIA: CONHEÇA A HISTÓRIA DA FORMAÇÃO DE UMA DAS REGIÕES MAIS POPULOSAS DE SÃO BERNARDO
No final do século XIX, boa parte do território onde hoje está o Bairro Independência integrava as terras de Antônio Manoel Pedroso. A propriedade fazia divisa, a leste, com o atual Rio dos Couros e, a oeste, com lotes da Linha Jurubatuba, do Núcleo Colonial São Bernardo.
Ao norte, a área se confundia com a região então conhecida informalmente como Piraporinha, onde João Pedroso de Oliveira havia instalado uma capela dedicada ao Bom Jesus de Pirapora.
Durante a primeira metade do século XX, a região permaneceu predominantemente rural. A posse das terras começou a se fragmentar, principalmente após 1926, com a morte do patriarca da família Pedroso.
Primeiros loteamentos
Os primeiros loteamentos urbanos surgiram na década de 1950. Um mapa do município produzido em 1953 mostra apenas a Vila Olga com ruas abertas e denominadas, sendo que apenas a Rua das Camélias manteve sua denominação até os dias atuais.
A Vila Olga, implantada em terras de Elias Aun, foi aprovada em 1952, mesmo ano em que surgiram o Jardim Aurora e a Vila Rosa. O Jardim Aurora foi loteado em propriedades de Laura Gonçalves Valente e Elias Aun, enquanto a Vila Rosa ocupou terras pertencentes a Samuel Aizemberg.
Somados, esses três empreendimentos deram origem a 664 imóveis: 76 na Vila Olga, 183 no Jardim Aurora e 405 na Vila Rosa.
Até 1958, a região recebeu ainda mais três loteamentos: Jardim Santo Inácio (1954), Jardim Brasília (1956) e Jardim Vera Cruz (1958). Nessa mesma época, também já haviam sido construídas 14 casas do Conjunto Habitacional Orlando Fabrini.
Crescimento acelerado
Uma fotografia aérea de 1958 mostra todos esses loteamentos com a maioria das ruas abertas, mas ainda separados por grandes áreas verdes. A ocupação era modesta: o Jardim Santo Inácio possuía cerca de 80 construções em 450 lotes; a Vila Rosa tinha aproximadamente 60 imóveis; e o Jardim Vera Cruz, cerca de 45. A população da região provavelmente não ultrapassava mil habitantes.
Doze anos depois, o cenário era completamente diferente. Em 1970, os loteamentos existentes, acrescidos do Jardim Independência, implantado em 1964, já somavam 9.105 moradores, representando pouco menos de 5% da população de São Bernardo do Campo.
O crescimento foi impulsionado pela intensa migração atraída pela expansão industrial do município, que acelerou a ocupação dos loteamentos e consolidou a formação do bairro.
Origem do nome
Em 1972, durante as comemorações do sesquicentenário da Independência do Brasil, a região passou a ser oficialmente denominada Bairro Independência.
A medida também buscava evitar confusões com o bairro vizinho, incorporado ao recém-criado município de Diadema em 1958, que manteve o nome Piraporinha. Apesar disso, a denominação continuou sendo utilizada popularmente por muitos moradores para se referir à porção são-bernardense da região.
Consolidação urbana
Em 1980, a população do bairro chegou a 19.267 habitantes, número próximo ao atual, estimado em cerca de 22 mil moradores, indicando que o processo de ocupação urbana já estava praticamente consolidado.
Além dos loteamentos iniciais, o Bairro Independência passou a incluir também a Vila Fênix (1966), o Conjunto Habitacional Vila Adriana (1973), o Parque dos Pássaros (1975) e a Vila Coca (1977).
Grande parte da infraestrutura e dos serviços públicos foi implantada entre as décadas de 1950 e 1970. A energia elétrica chegou às vilas Olga e Rosa em 1958, ao Jardim Vera Cruz em 1959, ao Jardim Brasília em 1960 e aos jardins Fênix e Independência em 1971.
Em 1978, já funcionavam os Núcleos de Educação Infantil Santo Inácio, Vila Rosa e Vera Cruz, além do Centro de Iniciação Profissional Vila Rosa e de três escolas públicas de ensino secundário, entre elas as atuais Escola Estadual Maria Justina de Camargo, no Jardim Vera Cruz, e Escola Estadual Lopes Trovão, no Jardim Santo Inácio.
Na mesma época, o bairro também contava com posto de puericultura, diversas praças públicas e a Igreja Santo Inácio de Loyola.
Desenvolvimento industrial
A partir do fim da década de 1950, diversas indústrias de pequeno e médio porte instalaram-se no bairro, principalmente ao longo da antiga Estrada da Linha Camargo, atual Avenida Humberto Castelo Branco, além das avenidas Moinho Fabrini e Robert Kennedy.
Entre elas estavam Crosrol, IPA, Ibrasol, Carjac, Mark Peerless, Jolitex, Conipos, Filtrágua, John Crane, Proema e Realmat.
A Vila Olga, que no período rural abrigava olarias, tornou-se também sede da Eureka Artefatos de Borracha, instalada na Rua dos Escudeiros desde 1957. Pertencente à família Hauache, de origem sírio-libanesa, a empresa iniciou suas atividades produzindo artefatos de borracha regenerada e, a partir da década de 1980, passou a fabricar produtos em EVA.
Outra empresa de destaque foi a Fibam, uma das maiores indústrias do bairro. A empresa iniciou suas atividades em 1951 produzindo parafusos para móveis de madeira e chegou a São Bernardo em 1960, atraída pela expansão da indústria automobilística. Sua fábrica na Avenida Humberto Castelo Branco foi oficialmente inaugurada em 1968.
Além de autopeças, a Fibam fabricava componentes para os setores eletroeletrônico e da construção civil. Em 1981, empregava cerca de 650 funcionários. As atividades foram encerradas em São Bernardo em 2018, e as instalações acabaram demolidas em 2021.
Também faz parte da história do bairro a GROW, tradicional fabricante de jogos de tabuleiro, instalada desde 1980 na Avenida Moinho Fabrini.
Perfil atual
O Censo de 2022 apontou crescimento demográfico reduzido no Bairro Independência nas últimas duas décadas. Em contrapartida, houve mudanças significativas na composição das famílias.
O número de domicílios permanentes passou de 7.188, em 2000, para 8.427 em 2022, enquanto a média de moradores por residência caiu de 3,52 para 2,7 pessoas, refletindo uma tendência observada também em São Bernardo do Campo e no restante do país.
Na imagem divulgada pelo Centro de Memória de São Bernardo aparece a Avenida Humberto Castelo Branco no início da década de 1970. À direita estão as casas construídas por Orlando Fabrini na década de 1950, que integram o Conjunto Habitacional Orlando Fabrini. Do outro lado da avenida aparecem as instalações da Fibam.
Fonte: Página da Secretaria de Cultura de São Bernardo do Campo (Cultura São Bernardo), com pesquisa, texto e acervo do Centro de Memória de São Bernardo do Campo.



