PRIMEIRA EDIÇÃO DO FESTEA CELEBRA TALENTOS DE PESSOAS COM TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA

Evento no Saguão do Teatro Municipal de Santo André contou com apresentações de diversas linguagens artísticas como canto, dança, poesia, música e exposições de pintura e fotografia
O saguão do Teatro Municipal Flavio Florence, em Santo André, recebeu na última quarta-feira (2), o 1º FesTEA – Festival de Talentos para pessoas com Transtorno do Espectro Autista. Realizado no Dia Mundial da Conscientização do Autismo, o evento reuniu 16 artistas que apresentaram trabalhos em diversas linguagens, como música, canto, dança, pintura, fotografia e poesia. O festival fez parte da programação de aniversário de 472 anos da cidade.
“O FesTEA nasceu para dar voz e visibilidade aos talentos das pessoas com TEA, proporcionando um espaço para que expressem sua arte. Existe muita gente talentosa fechada dentro de casa e esse potencial artístico precisa ser visto, precisa ter a chance de se mostrar para o mundo. Também é necessário ter coragem para participar, superar a timidez e se permitir viver essa experiência. Pelo retorno que tivemos nesta primeira edição, tenho certeza de que o número de participantes crescerá a cada ano”, disse a secretária da Pessoa com Deficiência, Valéria Romera Marcelino.
O costumeiro nervosismo não evitou que o experiente Álvaro Mattos dos Santos subisse ao palco para tocar no teclado uma de suas composições: “Privilegiada por sua beleza”. Aos 25 anos, Santos compôs mais de 40 músicas – começou aos 11, e já se apresentou em público algumas vezes, mesmo sem ter ido a um curso regular de piano. Seu pai, que toca muitos instrumentos, é sua maior referência.
“Eu me sinto bem quando toco, o teclado é um dos melhores instrumentos, o som me agrada muito e me permite usar a lógica. Ele tem uma certa lógica pra mim”, contou. Álvaro dos Santos pretende seguir carreira e atualmente estuda música na Faculdade Batista Logos, em São Paulo.
Para Manuela Vasquez, de 12 anos, a dança é a linguagem artística que a deixa mais feliz. Ela subiu ao palco confiante após o incentivo emocionado da mãe Katia: “Vai lá e arrasa”. Manuela, que nasceu com Síndrome de Down e teve o TEA diagnosticado após a pandemia de Covid, seguiu o incentivo da mãe e dançou três músicas sozinha no palco.
“Ela nunca havia dançado sozinha assim, por isso esse momento é muito especial”, contou a mãe Katia Cristina Vasquez Silva, que não conteve as lágrimas durante a apresentação de Manuela. “Eu acredito que a gente tem de estar sempre presente, acreditando e mostrando que eles conseguem e que vão chegar aonde quiserem. O estímulo é importante e ele precisa vir da família. Não basta só ir para a escola e para as terapias e ficar o resto do tempo em casa. A gente precisa estimular, mostrar que eles são diferentes, mas que isso faz parte da vida. Uma vida que precisa ser muito bem vivida”, disse.
Dois artistas revelados pelo Centro de Referência da Pessoa com Deficiência (CRPD) de Santo André também brilharam no FesTEA: Efraim Montenegro de Mattos, o “Efra”, de 28 anos, e Gabriel Hayashi, de 22 anos. Efra, aspirante a grafiteiro e dono de uma loja online, sempre se conectou ao desenho e à arte, afirmando que cada criação é um “tempo de revelação”. Na luta para colecionar memórias, Efra expôs seus desenhos no evento. “Encontrei na arte meu principal instrumento de expressão”, contou.
Já Gabriel Hayashi, cujo nome oficial é Gabriel Ferreira dos Santos, um jovem reservado e sonhador que gosta de ler mangás e desenhar, apresentou no FesTEA um rap de sua própria autoria, animando o público com sua performance espontânea.
CRPD – O Centro de Referência da Pessoa com Deficiência (CRPD) de Santo André, gerenciado pela Secretaria da Pessoa com Deficiência, oferta oficinas de música, dança, teatro, circo e diversas outras atividades para pessoas com qualquer deficiência, acima de 12 anos, residentes na cidade. As inscrições estão abertas e não exigem encaminhamento prévio. O CRPD fica na Rua Carnaúba, 150, na Vila Guiomar. O telefone para contato é 4433-1987.




