ANTÔNIO, 70 ANOS, PANFLETEIRO
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Na Marechal, uma das ruas mais movimentadas da cidade, as pessoas passam e não o vêem. Mas ele está sempre lá, das 9h às 17h40, há 21 anos no mesmo local.
“Eu faço isso aqui porque não consigo ficar em casa parado. Eu sou muito bagunceiro, pra brincar, puxar assunto com as muié. Fiquei um ano em casa fazendo nada, dormindo e comendo. Eu fiquei internado duas semanas, adoeci porque não consigo ficar em casa, sentia uma depressão. Ainda bem que eu moro só, se não eu ia encher o saco da muié toda hora. Em casa eu não paro não. Você chega na minha casa e parece que tem muié, gosto de tudo arrumadinho.”
Antônio é assim, aos 70 anos carrega leveza para onde vai. Gosta de prosa e tem o riso fácil. O senso de humor dele contagia qualquer um. Mas ali, na Marechal, ninguém o vê.
 
Ele vem de longe. O trajeto entre São Miguel Paulista e São Bernardo do Campo é longo.
 
“Saio de casa às 7h, quando dá 8h30 eu chego aqui. É um sufoco andar de trem esses horários, eu fico quase pendurado, não alcanço não. Um dia um cara me pegou e me jogou pra dentro do trem assim, pega essa bola lá!”, conta.
 
Após esse trajeto ele permanece ali, na Marechal, entregando panfletos aos que passam apressados demais para se atentar a essa figura de um metro e meio.
Pequeno de altura, grandioso de alma. Mas ninguém o vê, ali, na Marechal. “Qualquer coisa passa por aqui pra conversar”, finaliza Antônio, sempre com um sorriso no rosto e um bom papo na ponta da língua.
 
São Bernardo Anônima é um novo quadro da TVSBC que conta histórias de “pessoas invisíveis” da nossa cidade
Texto Adriana Victorino
Imagens Guilherme Marchi
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