A HISTÓRIA DA KARMANN-GHIA EM SÃO BERNARDO
Foi por volta de 1958 que a tradicional fabricante de carrocerias alemã Wilhelm Karmann GmbH iniciou a construção das instalações de sua subsidiária brasileira, a Karmann-Ghia do Brasil, em um terreno de 20 mil m², próximo ao km 21,5 da Via Anchieta. Única filial implantada fora de sua terra natal, com um investimento inicial de oito milhões de marcos, a indústria começou a operar em 1960. Ela chegou a São Bernardo com o objetivo de produzir, em parceria com a conterrânea e vizinha Volkswagen, o célebre automóvel Karmann-Ghia 14.
Desenvolvido na Alemanha em 1955, o modelo utilizava a parte mecânica do Fusca e as carrocerias fabricadas pela Karmann, com design criado pela companhia italiana Ghia. A produção em larga escala começou em 1962, com as plataformas dos veículos fabricadas na planta da Volkswagen, no bairro Demarchi, e enviadas para a Karmann-Ghia, onde eram feitas as carrocerias e realizada a montagem final dos veículos.
Em 1965, a empresa já havia produzido 5 mil unidades, que, assim como o Fusca, possuíam o brasão de São Bernardo no volante. Apesar da baixa potência do motor de 1.200 cm³, o modelo tinha design esportivo, acabamento refinado e preço acima da média, voltado às classes de maior poder aquisitivo.
Diversificação da produção
Na época, a fábrica contava com cerca de 600 funcionários. Além das carrocerias do Karmann-Ghia, fabricava cabines para caminhões e carrocerias para ambulâncias. Também possuía um setor de ferramentaria, onde eram produzidas matrizes, moldes e outros utensílios de variadas dimensões para atividades industriais, além de executar serviços de estamparia para outras empresas, como GM, Willys, Mercedes e Simca.
Evolução dos modelos
Em 1967, o Karmann-Ghia 14 foi atualizado e passou a contar com motores de 1.500 cm³. No ano seguinte, foi lançada a versão conversível do automóvel.
O Karmann-Ghia 14 permaneceu em produção até 1971, totalizando cerca de 23 mil unidades fabricadas.
Em 1970, foi lançado um novo modelo, desenvolvido no Brasil, batizado de Karmann-Ghia TC, com linhas inspiradas no antigo design do Porsche 911 e motor 1.600 cm³ derivado do utilizado na Volkswagen Variant.
Essa versão, a última do carro produzida no Brasil, permaneceu em fabricação até 1975, totalizando 18 mil unidades. O modelo enfrentou a forte concorrência de esportivos da época, como Puma GTE, Corcel GT e também o SP2, cujas carrocerias também eram produzidas na Karmann-Ghia.
Novas atividades da empresa
Após o encerramento da produção do Karmann-Ghia, a empresa expandiu sua atuação na fabricação de trailers da linha KC e motor homes Safari e Touring, associados à Volkswagen Kombi, segmento em que começou a atuar em 1972, após uma ampliação em sua planta.
Também permaneceu ativa no fornecimento de serviços de carroceria, estamparia e ferramentaria para outras indústrias do setor automobilístico. Nas décadas de 1980 e 1990, por exemplo, montou para a Ford a carroceria do Escort XR-3 conversível, da mesma forma que a empresa matriz já fazia na Alemanha.
Encerramento das atividades
A fabricação das linhas de trailers e motor homes continuou até 1995.
Depois, entre o fim dos anos 1990 e meados da década de 2000, a fábrica passou a montar o utilitário Land Rover Defender, em uma parceria na qual recebia kits CKD com peças importadas da Inglaterra.
Em 2008, o grupo Karmann vendeu o controle da fábrica no Brasil. Nos anos seguintes, a unidade passou por diferentes grupos empresariais até encerrar suas atividades em 2016, já com quadro reduzido de funcionários e enfrentando problemas trabalhistas e judiciais.
Quatro anos depois, o parque industrial da empresa em São Bernardo foi adquirido por sua vizinha na Avenida Álvaro Guimarães, a fabricante de embalagens Wheaton.



