JARDIM PETRONI: CONHEÇA A HISTÓRIA DA FORMAÇÃO DE UM DOS BAIRROS MAIS TRADICIONAIS DO BAETA NEVES

Localizado na porção mais a oeste do Baeta Neves, em São Bernardo do Campo, o Jardim Petroni é hoje uma região densamente povoada, apesar do relevo bastante acidentado. O desnível entre o ponto mais alto, no início da Rua Joana Zanola Degelo, e o mais baixo, na Rua dos Vianas, chega a 67 metros.

Em meados do século passado, a área ainda era praticamente desocupada e estava dividida entre três proprietários. A maior parte, situada ao norte, pertencia a Arthur Petroni. Os outros dois trechos eram remanescentes da divisão do histórico Sítio dos Vianas, pertencentes a José Floriano Pereira e Pery Ronchetti Carlo.

Arthur Petroni era guarda-livros (contador) da Companhia Paulista, empresa responsável pelo loteamento da Vila Baeta, e havia adquirido a área que ainda não havia sido loteada. No local existia apenas a Olaria Bom Jesus, instalada aproximadamente onde hoje está a confluência das ruas Itá e Itaíba. A olaria fornecia tijolos para os compradores dos lotes da Vila Baeta.

Por volta de 1955, o corretor Irineu Ladeira de Souza Lima, sócio de Petroni, adquiriu os dois terrenos vizinhos. No ano seguinte, ambos lançaram o projeto de loteamento da região.

O projeto urbanístico foi elaborado pelo engenheiro Affonso Oetting, filho de Diogo Oetting, agrimensor responsável pela planta da Vila Baeta em 1929. Com cerca de 120 mil metros quadrados, a área foi dividida em 367 lotes, com média de 270 metros quadrados cada. Outros 26 mil metros quadrados foram destinados às ruas e passagens.

As primeiras vias abertas foram as ruas Itatiba, Itapuá, Itaquera e parte da Rua Ituã. Em 1957, apenas a Rua Itatiba possuía construções, com quatro imóveis distribuídos ao longo de sua extensão.

Crescimento acelerado

Nos quinze anos seguintes, o bairro passou por intenso crescimento. Em 1972, todas as ruas já estavam abertas e mais da metade dos lotes estava ocupada por edificações. Na época, o bairro contava apenas com energia elétrica, ainda sem pavimentação e sem redes de abastecimento de água e esgoto.

Oito anos depois, em 1980, restavam poucos terrenos totalmente desocupados.

Formação dos núcleos habitacionais

A partir de 1968 começou a se formar o núcleo de moradias localizado nas proximidades das ruas Itá e Itaúba, paralelo à Rua Itatiba. Em 1973, o local já possuía 125 domicílios.

Por volta de 1976 surgiu também o Núcleo Itamarati e, pouco tempo depois, o Núcleo Pai Herói, na divisa com o Jardim Farina. Em 1995, os três núcleos reuniam 882 moradias e, em 2010, esse número chegou a 922.

Entre 2007 e 2008, o assentamento localizado ao lado do córrego que faz divisa com o Cemitério Jardim Colina passou por obras de urbanização realizadas em parceria entre a Fundação Salvador Arena e a Prefeitura de São Bernardo. As intervenções resultaram na construção do conjunto habitacional Vila Nova Salvador Arena e da Rua Salvador Arena.

Lagoas marcaram a paisagem

Outro elemento que marcou a paisagem do Jardim Petroni foram as lagoas existentes às margens do Córrego Saracantan. Formadas em antigas áreas de extração de areia, elas passaram a preocupar as autoridades devido aos frequentes desmoronamentos.

Em 1969, a Câmara Municipal criou uma comissão especial para analisar a situação. As lagoas foram aterradas na segunda metade da década de 1970, durante as obras de retificação e canalização do Saracantan e da construção da Avenida Pery Ronchetti.

Infraestrutura

O primeiro equipamento público do bairro foi o Grupo Escolar do Jardim Petroni, inaugurado em 1973. Atualmente, a unidade é a EMEB Professora Maria Terezinha Bessana.

Após a chegada da energia elétrica, a infraestrutura urbana foi sendo implantada gradualmente. A pavimentação em paralelepípedos ocorreu ainda na década de 1970, enquanto as redes de abastecimento de água e esgoto foram instaladas entre as décadas de 1970 e 1980.

Na imagem divulgada pelo Centro de Memória de São Bernardo é possível ver uma antiga lagoa localizada em frente à Rua dos Vianas e ao Jardim Petroni, em 1975. Na parte superior da fotografia aparecem um trecho da Rua Ituã e o então Grupo Escolar do Jardim Petroni. Pouco tempo depois, a lagoa seria aterrada.

Fonte: Página Cultura São Bernardo, com pesquisa, texto e acervo do Centro de Memória de São Bernardo do Campo.

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